PIB cresceu 0,5% no campo em 2006, diz CNA
O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio alcançou 540,06 bilhões no ano passado, apenas 0,5% acima de 2005 (R$ 537,63 bilhões), conforme balanço divulgado ontem (dia 22) pela Confederação da Agricultura e da Pecuária do Brasil (CNA) e pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Esalq/USP).
As contas consideram que o PIB da pecuária alcançou R$ 64,82 bilhões, 4,5% menos que no ano anterior (R$ 67,84 bilhões), que o PIB da agricultura recuou 0,3% na mesma comparação, para R$ 84,97 bilhões - e que, com isso, o PIB da agropecuária totalizou R$ 149,8 bilhões, com retração de 2,1%. Na análise que divulgaram, CNA e Cepea lembram que, segundo o IBGE, o PIB da agropecuária brasileira aumentou 3,2% em 2006, acima da média da economia brasileira, de 2,9%. E explicam que o IBGE usa o critério de preços constantes em seus cálculos. Ou seja, eles são realizados entre dois anos seguidos e as produções desses dois anos levam em consideração os preços do primeiro. O Cepea, continuam os autores do levantamento, mede as produções a preços reais, para avaliar a renda real dos diversos segmentos pesquisados.
Ainda que o PIB da pecuária e da agricultura tenham registrado variações negativas na comparação de CNA/Cepea entre os anos de 2006 e 2005, sobretudo para a agricultura já houve sinais de recuperação no fim do ano passado. O PIB da agropecuária caiu 0,07% em dezembro em relação a novembro, mas a agricultura já apresentou crescimento de 0,47% na comparação mensal.
Aqui, pesaram para a recuperação o aumento das cotações internacionais do milho, diretamente influenciadas pela onda da utilização do etanol como alternativa ao petróleo nos Estados Unidos, e da soja, que acompanhou o comportamento do milho. Este já apresenta variação positiva superior a 80% nos últimos 12 meses na bolsa de Chicago, principal referência do mercado global. Antes disso, como ressalta o Cepea, os volumes agropecuários comercializados evitavam quedas maiores no desempenho do setor como um todo, uma vez que os preços vinham deprimidos. Particularmente no caso da pecuária, a tendência se manteve até o fim do ano - mais grave no caso dos suínos, onde os exportadores de Santa Catarina ainda enfrentam travas russas a seus produtos e tem problemas para escoar sua produção.
Com os preços deprimidos, coube à agroindústria o papel de garantir o aumento do PIB do agronegócio em geral, sobretudo no fim do ano passado. A indústria processadora vegetal, por exemplo, cresceu 4,10% em 2006 - destaque para as indústrias de açúcar, com salto em dezembro de 46% sobre novembro, e de álcool, com crescimento de 15% na comparação.