Café de volta à região norte
Uma roça de café no distrito de Juacema, município de Jaguarari, no norte do Estado, despertou a atenção de pesquisadores da Embrapa e de representantes do Banco do Nordeste e da Prefeitura que estiveram no local, na semana passada. Com pouco mais que 70 pés de café arábica, variedade catuaí, a plantação se destaca pela floração precoce e alta produtividade.
Utilizando irrigação por microaspersão, o responsável pelo empreendimento, agricultor e agrônomo Antônio Carlos Chaves, disse que os resultados iniciais são animadores e, por isso, aposta na diversificação como forma de beneficiar o município. As mudas são originárias da região de Morro do Chapéu (Chapada Diamantina) e foram plantadas a 700 metros de altitude. Antônio Chaves disse que a indicação pelo arábica foi de técnicos da Embrapa, por ela se adaptar a essa altitude.
Com solo e clima semelhantes aos da região de origem, o agricultor já gastou cerca de R$ 8 mil. “Inicialmente, visitei a região e obtive informações de que já houve cafezais por aqui; no entanto, cogitei a possibilidade de irrigação para que na época da flora e frutificação não cometesse os erros do passado, pois foi a falta de água que provocou o insucesso na época”, comentou o agricultor.
A primeira floração aconteceu com 14 meses – agora são 21 meses. De acordo com o pesquisador da Embrapa Semiaacute;rido José Maria Pinto, essa precocidade inicial é normal, pois, destaca ele, em geral, acontece de os cafeicultores derrubarem as flores para não ter primeira colheita. Como a área é irrigada, a florada se deu de forma homogênea homogênea e a produtividade aumentou em relação às áreas onde o café é cultivado em sequeiro. A colheita deve acontecer dentro de 90 dias, de acordo com a estimativa da equipe técnica.
Para o agricultor, o cultivo do café em larga escala é uma questão de tempo, que se torna mais real com a visita do BNB e da Embrapa à propriedade. “Eu não quero ficar isolado, pois é importante termos a participação de mais agricultores, formar uma cooperativa e mudar a região, não só em termos de produção agrícola como de desenvolvimento econômico; podemos transformar isso aqui num pólo cafeeiro irrigado”, completa.
Destaca que fatores como a altitude e a oferta de água são fundamentais para dimensionar o potencial da área, quando do zoneamento para iniciar a produção. Há, ainda, a necessidade de testar outras variedades, pois há no Brasil mais de 40 tipos do café arábica que se adaptam a clima e altitude diferentes. Pedro Gama, diretor da Embrapa Semiaacute;rido, revela que já há pesquisas sendo feitas com a variedade canelon, em Petrolina (PE); no entanto, é necessário mais testes para verificar as que melhor se adaptam ao clima da região.
“Como esta variedade se desenvolve num clima diferente do que originalmente é cultivado, é importante testar pelo menos umas cinco variedades diferentes”, comenta o pesquisador José Maria Pinto. Acrescentando: “Seria interessante produzir café para o mercado local e, depois, expandir para cidades como Recife e Fortaleza, que compram café da região de São Paulo”, finalizou.
A Bahia já produz café nas regiões do Planalto de Conquista, Chapada Diamantina, oeste (Barreiras) e extremo Sul.
JUCIANA KELLY