Gergelim reforça renda familiar
Há quase dois anos, o cultivo de gergelim vem despertando o interesse de pequenos produtores do Recôncavo, onde o plantio, mesmo tímido, da oleaginosa, surge como alternativa econômica para a agricultura familiar e, também, incrementar a merenda escolar.
Embora sem seguir a técnicas sistematizadas, o plantio aumenta a renda familiar de todos, que vendem subprodutos – fubá, paçoca e cocada. O ganho, aparentemente pouco, é significativo para pessoas como Pedro Augusto Borges Coni, da Fazenda Bonsucesso, zona rural de Conceição do Almeida, que produz 80 kg por ano. “É pouco, estamos experimentando, mas tem dado lucro razoável. Eu vendo direto ao freguês e produzo para minha família também”, disse ele.
Em sua propriedade, o agricultor Pedro Coni plantou, no ano passado, 1 kg de semente em 1 hectare e já produz paçoca, cocada, tostado com sal e fubá de gergelim. “O quilo do gergelim é vendido a R$ 5, mas chega a R$ 8”, diz. Um outro produtor, Mário Dias, percebeu o lucro com baixo custo e plantou meio quilo de semente de gergelim no ano passado. Colheu 15 kg e vendeu 13 kg a outros agricultores, a R$ 5 o quilo. “Como foi a primeira vez, não plantei muito”, contou, animado com a possibilidade de ampliar.
ARTESANAL – De acordo com o empreendedor rural José Carlos Toneto, o produtor deve se organizar em associações para vender o produto. “É uma cultura simples, de cultivo artesanal, sem equipamento. O gergelim tem mercado mundial, mas não há produção, e a idéia é buscar o melhor tipo a ser cultivado para exportação”, diz, lembrando não haver plantio comercial e que o pequeno produtor deve se reunir em associação.
Embora haja potencial para o gergelim, o plantio na Bahia é incipiente. “Mas um trabalho sério de divulgação poderá incrementar a produção com vistas à exportação”, imagina José Toneto, presidente do Instituto de Cooperação e Desenvolvimento Rural e Econômico (ICR), que, em 2005, iniciou o cultivo experimental nas localidades de Salto da Onça e Benfica, em Santo Antônio de Jesus. Diz ele que o gergelim é uma cultura que não requer grandes tecnologias, não é exigente, por isso tem um baixo custo. “Para distribuir as sementes nos sulcos, por exemplo, usamos uma peneira artesanal feita de garrafa plástica pet com alguns furos presa a um cabo de vassoura”, ensina.
O técnico da Embrapa Mandioca e Fruticultura, de Cruz das Almas, Antônio Marcos Pereira ressalta que a estatal introduziu a cultura na região em 2004 em cerca de 1 hectare. “Estamos testando o gergelim, pois é adaptável ao clima quente e seco, mas não suporta solos que encharcam. Para se plantar 1 hectare, basta ter de 1 kg a 3 kg de sementes. Sem adubação, colhese mil quilos; com o trato adequado, até 1.500 kg”, orientou. Explicou que o gergelim pode ser cultivado isolado ou em consórcio com outras culturas, como o algodão e a mamona. O técnico informou ainda que as sementes são distribuídas pela Embrapa Algodão, de Campina Grande (PB), mas também podem ser adquiridas no ICR, de Santo Antônio de Jesus ou na Associação dos Pequenos Produtores Orgânicos do Recôncavo Baiano (Aporba).
De acordo com a Embrapa, a produção mundial é superior a 2,3 milhões de toneladas. Os principais produtores são Índia e China, responsáveis por 50% da produção mundial; seguidos por Sudão, Uganda, Bangladesh, Venezuela e Etiópia. No Brasil, o cultivo foi iniciado na década de 1980. Atualmente, o País tem uma produção superior a 10 mil toneladas, numa área de mais de 20 mil hectares.
CRISTINA SANTOS