Governador vai ao Japão em busca de novos investimentos

26/03/2007

Governador vai ao Japão em busca de novos investimentos

Japoneses pretendem expandir parceria com o Brasil, e a Bahia está sendo olhada com muito carinho

Em busca de novos investimentos e da consolidação dos negócios já existentes, o governador Jaques Wagner viajou ontem para o Japão, acompanhado do secretário da Indústria, Comércio e Mineração, Rafael Amoedo, a convite oficial do governo daquele país. "Vou abrir várias frentes de negociação, visitando indústrias na área de gás e álcool e bancos", adiantou o governador.

O comércio Bahia/Japão totalizou no ano passado US$ 142,1 milhões, com uma balança favorável à Bahia – US$ 76,3 milhões em exportações e US$ 65,8 milhões em importações. Ainda assim, o Japão é o 17º destino das exportações baianas (commodities agrícolas e mineral-metálicas e produtos petroquímicos) e o 6º fornecedor (produtos industrializados para os setores eletroeletrônico e automotivo). Apenas 0,8% das importações japonesas foram provenientes do Brasil e só 0,5% das exportações do Japão tiveram o Brasil como destino.

Segundo Wagner, os japoneses estão interessados em aumentar as parcerias com o Brasil, e a Bahia está sendo olhada com muito carinho por todos os investidores: "A nossa mão-de-obra se afirma mais qualificada a cada dia. Ouvi isso das direções da Ford, da Nestlé, da Bridgestone, que afirmaram que o trabalhador baiano tem rapidez para se qualificar e que oferece uma produtividade grande", disse.

A Bahia exporta principalmente ferro-silício, químicos e petroquímicos, celulose, algodão, soja em grão, café, partes e peças para a indústria eletroeletrônica, manga, suco de frutas, reveladores e pneus. A curto prazo, há espaço para o crescimento das vendas de sucos, alimentos, frango congelado, madeiras, peixes, produtos químicos orgânicos, confecções, plásticos, pedras preciosas, jóias, móveis e produtos da indústria siderúrgica.

Comércio e política

Wagner e Amoedo chegam a Tóquio no domingo à tarde e na manhã da segunda-feira visitam Shoshi Arakawa, presidente da Bridgestone, uma das maiores produtoras de pneus e artefatos de borracha do mundo, que investiu R$ 824 milhões na instalação de uma fábrica em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador (RMS).

No final de segunda-feira, se encontram com representantes da Câmara Baixa (o equivalente à Câmara Federal brasileira) – os deputados Takeshi Kawamura, secretário-geral da Associação de Parlamentares entre Japão e Brasil e vice-presidente de honra do Conselho Executivo do Ano de Amizade entre Japão e Brasil, e Osamu Fujimura, presidente do Conselho da Associação de Amizade entre Japão e Brasil.

Encerram o dia participando de um jantar oferecido pelo diretor-geral do Departamento da América Latina e do Caribe do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Akira Miwa.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros programou uma visita, na terça e na quarta-feira, às cidades de Kioto e Nara, fortes atrações turísticas do Japão. Na manhã da quinta-feira, já em Tóquio, Wagner e Amoedo terão um encontro com Shohei Utsuda, presidente da Mitsui Co. Ltd., empresa que detém parte do capital acionário da Bahiagás.

Na expectativa de atrair novos investimentos para a Bahia, o governador e o secretário dedicam a tarde de quinta-feira para encontros com dirigentes de instituições financeiras, fazendo uma avaliação dos negócios japoneses na Bahia e apresentando projetos que poderão ser diretamente financiados por bancos japoneses ou apoiados em parceria com instituições financeiras internacionais. À noite, participam de jantar oferecido pelo embaixador do Brasil, André Amado.

Na sexta-feira, Wagner e Amoedo vão conhecer as modernas instalações da Toyota, saindo de Tóquio para Nagoya, na Província de Aiche, e seguindo para Toyota City, onde conhecerão a fábrica e se reunirão com o presidente Katsuaki Watanabe e diretores da empresa.

O governador e o secretário iniciam a viagem de retorno ao Brasil no sábado, chegando a Salvador no final da manhã do domingo.

 

História da imigração

O primeiro navio a aportar no Brasil com imigrantes japoneses foi o Kasato Maru, em 18 de Junho de 1908, no Porto de Santos. Trazia 165 famílias que vinham trabalhar nos cafezais do oeste de São Paulo. Nos primeiros sete anos, vieram mais 3.434 famílias (14.983 pessoas). Com o começo da I Guerra Mundial (1914) explodiu a imigração – entre 1917 e 1940, vieram 164 mil japoneses para o Brasil (75% iam para São Paulo).

Em 1953, quase 50 anos depois do início da migração japonesa para São Paulo, uma primeira leva de colonos japoneses aporta na Bahia. O governo brasileiro decidiu doar terras abandonadas para que eles as tornassem produtivas. A primeira colônia foi criada em 53, em Una, no sul do estado. A segunda, em Ituberá, em 54. Por último, a Colônia JK, em Mata de São João, em 59.

O contrato assinado entre Brasil e Japão exigia, no mínimo, uma permanência de três anos. Cada família tinha que ter, pelo menos, três pessoas capazes para o trabalho e com experiência de cinco anos na agricultura.