Estado distribui duas mil cestas básicas a pescadores da Baía de Todos os Santos

28/03/2007

Estado distribui duas mil cestas básicas a pescadores da Baía de Todos os Santos

Medida atenua os efeitos provocados pela mortandade de peixes que vem ocorrendo em diversos municípios

O Governo do Estado está distribuindo duas mil cestas básicas para reduzir os prejuízos dos pescadores e marisqueiras da região da Baía de Todos os Santos atingida pela mortandade de peixes e crustáceos – o número das cestas deve ser aumentado nos próximos dias.

A contaminação da Baía de Todos os Santos, que está causando a morte de toneladas de peixes desde o início do mês, e seus reflexos nas comunidades pesqueiras da região foram objeto de reunião, ontem, entre o governador em exercício, Edmundo Pereira, os secretários de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, de Desenvolvimento Social, da Agricultura e da Casa Civil, além dos diretores da Bahia Pesca e do Centro de Recursos Ambientais (CRA).

Os municípios atingidos são Saubara, Salinas da Margarida, Santo Amaro e São Francisco do Conde. As medidas a serem adotadas para a solução do problema vão depender do resultado do laudo técnico, que deve sair até 6 de abril e vai indicar se a contaminação é de origem industrial ou orgânica.

"Queremos ter a segurança para a confecção do laudo, que não é um documento simples e necessita de excelência técnica e científica", afirmou o secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Juliano Matos. Segundo ele, diversas substâncias estão sob suspeita de causar a contaminação e cada amostra coletada passa por uma bateria de exames. "Precisamos ter certeza do que ocorreu para tomar as decisões corretas, inclusive no manejo da Baía de Todos os Santos", disse.

 

Crime ambiental

Matos declarou que, no caso de contaminação industrial, deve-se aplicar a legislação de crime ambiental. "Mas se for uma causa natural, será necessária uma avaliação muito cuidadosa da nossa parte, porque isso significa que todo o ecossistema da baía pode estar favorecendo a proliferação de algas. Nesse caso, isso quer dizer que a região está precisando de um amplo plano de manejo, para que se consiga recuperar o seu potencial ecológico e econômico", explicou.

O secretário disse que os laboratórios escolhidos para realizar a análise foram os da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e da Fundação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, especialista nesses casos. Ele lembrou que as regiões atingidas estão sob interdição. "Insistimos que não se pesque e não se consuma pescado da região", afirmou.

A diretora-geral do CRA, Beth Wagner, observou que o órgão está atuando no caso desde o dia 8 deste mês, quando foi notificado, fazendo varreduras e coletando amostras. "O CRA está se articulando com a Bahia Pesca e com a Secretaria de Desenvolvimento Social, participando junto com as comunidades e alertando para que os peixes da região não sejam consumidos", destacou.