Castanha manejada de Manicoré recebe certificação internacional

29/03/2007

Castanha manejada de Manicoré recebe certificação internacional

 

 

Os pequenos extratores de castanha de Manicoré vão receber este mês o “selo  verde”, que é um atestado de qualidade, da certificadora suíça IMO (Instituto de Mercado Ecológico). A certificação orgânica dá garantias de qualidade à castanha, que é produzida sem agrotóxicos e risco de contaminação.
Após a certificação da castanha de Manicoré, a AFLORAM vai apoiar a certificação da produção de Amaturá e do mel de Boa Vista do Ramos
A trajetória da castanha-da-Amazônia, que voltou a ser um produto rentável para o interior com o incentivo do Governo do Estado do Amazonas, passou pela melhoria da qualidade de produção com as ações da Agência de Florestas e Negócios Sustentáveis (AFLORAM) e chega este ano à certificação orgânica. Os pequenos extratores de castanha de Manicoré vão receber este mês o maior atestado de qualidade da certificadora suíça IMO (Instituto de Mercado Ecológico) - o 'selo verde'.
A certificação, que se iniciou em Manicoré em 2004 com apoio técnico do Instituto Brasileiro de Educação em Negócios Sustentáveis (Ibens), dá garantias de qualidade à castanha e oferece um atestado de que é produzida sem agrotóxicos e sem risco de contaminação, pontos essenciais no acesso a mercados mais exigentes como o internacional.
O processo de certificação foi apoiado pela AFLORAM que fez a intermediação entre os pequenos extratores do interior e o órgão certificador. "A Agência trabalha em toda a cadeia dos produtos não-madeireiros, desde a difusão do manejo e os treinamentos, até a melhor forma de comercialização e a certificação orgânica é essencial para que os produtos legalizados ganhem espaço no mercado e a preferência do consumidor", explicou Adevaldo Dias, Chefe do Departamento de Produção Não-Madeireira da AFLORAM.
Para o Diretor-Presidente da AFLORAM, Malvino Salvador, a cada dia aumenta a responsabilidade do Estado do Amazonas no processo de conservação das florestas e no desenvolvimento social das comunidades que vivem dos recursos naturais, sendo, portanto, importante para a economia da região a descoberta de novas alternativas para utilizar os recursos naturais de forma sustentável.
"O manejo está comprovando que a floresta gera mais lucro em pé e pode levar desenvolvimento para o interior. A certificação é uma garantia de que este trabalho de manejo está sendo social e economicamente eficiente", avaliou, ressaltando que a AFLORAM está apoiando agora a certificação da produção de castanha do município de Amaturá e do mel de Boa Vista do Ramos.
A Cooperativa Verde de Manicoré (COVEMA), que agora detém a certificação do IMO-Control Brasil para produção de castanha, conta com 490 coletores. A certificação orgânica envolve uma área de 100 mil hectares que englobam 27 comunidades e 6 centros de coleta. A previsão dos extratores da COVEMA é produzir 163 toneladas de castanha manejada e certificada neste ano. "A comunidade que já retirava seu sustento da extração de castanha está ainda mais motivada com a possibilidade de agregar valor ao produto com a certificação", disse Getúlio Pereira, presidente da COVEMA.
Atualmente somente o manejo da castanha envolve aproximadamente 4.000 pessoas no Estado, gerando uma renda média de R$ 1.700,00 por família. Em 2006, a produção girou em torno de 780,85 toneladas de castanha manejada e 2.067 toneladas de castanha não-manejada. A AFLORAM pretende continuar disseminando as técnicas de manejo para todo o Estado também este ano, realizando treinamentos, atraindo investimentos, implementando unidades de beneficiamento e melhorando o escoamento da produção do interior.
A IMO certifica produções agrícolas com base no regulamento europeu CEE 2092/91 e nas exigências dos principais selos privados, está presente em 50 países, com mais de 20.000 projetos certificados que abrangem uma área de 200.000 hectares.