Controle biológico exige estratégia

29/03/2007

Controle biológico exige estratégia

Alternativa ao uso de defensivos químicos na lavoura precisa ser bem planejada para ser eficiente contra pragas

O controle biológico baseia-se em uma idéia simples: controlar uma praga utilizando os seus inimigos naturais. Na cultura do milho, que tem como principal praga a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), a prática tem sido adotada com sucesso por produtores. “O método de controle usual é o feito essencialmente com inseticidas químicos. Em algumas regiões o agricultor chega a fazer 15 aplicações durante o ciclo médio da cultura, que varia de 120 a 140 dias”, informa o pesquisador Fernando Hercos Valicente, da Embrapa Milho e Sorgo.

O controle biológico reduz o número de aplicações de produtos químicos na lavoura, o que minimiza riscos de contaminação ambiental e dá mais segurança para quem aplica. “No caso da lagarta-do-cartucho, principal praga do milho, o controle pode ser feito com parasitóides, fungos, vírus e bactérias.”

Valicente garante que, bem planejada, a técnica é tão eficiente quanto um defensivo químico. “Independentemente do inimigo natural utilizado, é essencial montar uma estratégia”, aconselha.

ESTÁGIO CERTO

“Como a lagarta ataca a lavoura muito cedo, fazer o monitoramento diário da área plantada é fundamental”, ensina. Também não se pode deixar que a porção da área atacada ultrapasse 20%. “Se a praga for detectada muito tarde, ou com mais de meio centímetro, todo o investimento no controle biológico será perdido”, alerta. “Não se trata de um produto milagroso. É apenas mais uma ferramenta à disposição do produtor e que deve ser usada no estágio certo da praga.”

No sistema que utiliza o baculovírus, por exemplo, há dois fatores importantes na hora de fazer a aplicação, conforme explica pesquisador. “Deve-se usar espalhante adesivo, que serve para o biopesticida aderir melhor e de forma mais uniforme nas folhas das plantas, e realizar a pulverização sempre no fim de tarde, já que a lagarta tem hábitos noturnos e neste período a temperatura está mais amena”, orienta. Os baculovírus fazem parte do grupo com maior potencial para atuarem como agentes no controle biológico de pragas.

SEGURANÇA

Para o responsável pelo Laboratório de Quarentena Costa Lima, da Embrapa Meio Ambiente, Luiz Alexandre Nogueira de Sá, antes de iniciar o controle biológico, seja qual for a praga, é indispensável definir uma estratégia de aplicação. “Saber, por exemplo, em que estágio da planta a praga ataca e em que fase encontra-se são itens cruciais.”

Outro conselho é fazer a rotação de culturas para criar o chamado hospedeiro alternativo, que “distrai” a atenção da praga para uma outra área cultivada. “A técnica não é simplesmente soltar o inimigo natural na lavoura, mas tentar imitar, ao máximo, a natureza.”

O professor titular do Departamento de Entomologia, Fitopatologia e Zoologia Agrícola da Esalq/USP, José Roberto Postali Parra, lembra que o controle biológico exige mais do produtor. “Aplicar agrotóxico é muito mais fácil, basta fazer a calda”, diz. Por isso, ele recomenda que o produtor procure orientação técnica com extensionistas e faça um programa de treinamento. “A extensão faz a ponte entre a pesquisa e o campo. O ideal é informar-se e adquirir produtos de empresas idôneas para não jogar dinheiro fora.”

Parra afirma que a adoção do controle biológico, obrigatoriamente, exige a utilização de produtos químicos seletivos. “Se o defensivo não possuir ação específica, como faz o seletivo, o inimigo natural é eliminado da lavoura junto com a praga.”

(SERVIÇO) INFORMAÇÕES: Embrapa, tel. (0--31) 3779-1000; Esalq, tel. (0--19) 3429-4199

FERNANDA YONEGA