Cestas básicas começam a ser distribuidas

30/03/2007

Cestas básicas começam a ser distribuidas

Pescadores e marisqueiras do município de Saubara atingidos pela mortandade de mais de 50 toneladas de peixes desde o início do mês, receberam ontem a primeira ajuda do governo. Cestas básicas enviadas pelo governo federal, provenientes do Recife começaram a ser entregues a duas mil pessoas.

De acordo com a avaliação de danos da defesa civil municipal, a quantidade é insuficiente para as mais de 8 mil pessoas que dependem da pesca e mariscagem. “O comércio todo parou”, disse o presidente da comissão municipal de Defesa Civil, Ubaldo Sirqueira.

No porto de Saubara, as canoas atadas em plena tarde e os ranchos vazios dos pescadores era o sinal de mais um dia incomum para a comunidade que vive da pesca. De bicicleta, o pescador Rogério Santos Moura levava para casa sua cesta com 10 kg de arroz, dois de feijão, duas latas de óleo, e dois de açúcar, farinha, leite e macarrão. Na porta de casa, sua mãe Maria do Amparo catava siri para comer, indiferente à recomendação do Centro de Recursos Ambientais (CRA) de não-consumo dos produtos do mar até a conclusão das investigações para identificação das causas do desastre. O pescador Eliomar Paixão, 35 anos, quatro filhos reclamou da falta de café, carne de sertão, massa para cuscuz e biscoito.

Em Cabuçu, a confusão foi grande com pessoas reclamando de terem sido cadastradas e de não terem recebido as cestas. Do lado de fora da sede da miniprefeitura, a marisqueira e pescadora Joanita Antônia de Souza, 42 anos, reclamava da qualidade da farinha, “parece areia”, dizia ela contrariadaem ter que consumir a farinha grossa vinda do Recife, diferente da farinha fina produzida no Recôncavo.

Ela reclamou também da quantidade insuficiente para passar mais 60 dias sem poder mariscar por causa da proibição da pesca decretada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) publicada ontem no Diário Oficial da União.

Na instrução normativa decretada pelo Ibama informa que poderá prorrogar ou antecipar o prazo, de acordo com o monitoramento das condições ambientais e dos recursos pesqueiros. Na prática, muitos pescadores já tinham parado de trabalhar desde que o CRA passou a não recomendar o consumo de pescado da região, devido à constatação da ocorrência de contaminação química nos peixes analisados em laboratório.

PESCA NÃO PAROU – Na tarde deontem, o presidente da Colônia de Pescadores Z 27, da localidade de Acupe, no município de Santo Amaro, contabilizava o estoque de pescado estocado pelos comerciantes locais. Somente de siri catado eram 697,5 quilos. Pelos seus cálculos, nos últimos dias foram coletados quatro toneladas de camarão.

“A pesca continua. Quem tá pegando camarão, tá vendendo”, informou. Segundo ele, Acupe, que tem o porto mais movimentado da região de Saubara e Santo Amaro, são três mil pescadores.

TARTARUGA MORTA – Em Madre de Deus, uma tartaruga marinha foi encontrada morta na praia junto a peixes e mariscos. O presidente da Associação de Pescadores e Marisqueiras, Aqüicultores e Psicultores de Madre de Deus, José Antônio Santos disse que o desastre da pesca vai piorar a situação social. “Já somos discriminados pelas empreiteiras da Transpetro que não nos dão oportunidade porque não temos qualificação. Agora o que temos é a poluição”.

Na Colônia Z48, de Madre de Deus, mulheres da comunidade queriam se cadastrar para receber cestas básicas, mas havia dúvidas se poderiam. Segundo membros da colônia, a informação inicial era de que valeria para a população em geral, mas ontem teriam recebido outra orientação da Bahiapesca. O município tem cerca de 18 mil habitantes, dos quais três mil estão diretamente ligados à pesca, segundo o presidente da Associação de Moradores de Madre de Deus, Carlos Santana Azevedo Davi. A mortandade de peixes fez ele se lembrar de um episódio semelhante ocorrido em 1995. Na sua opinião, o produto que está contaminando os peixes foi o mesmo daquele ano.