Sul do Estado está investindo em fruto alternativo
Na aparência, uma mistura de mamona com urucum; no sabor, semelhante à pitomba. Esta é o rambutão, uma fruta exótica, típica de florestas tropicais úmidas, que está sendo estudada nos campos experimentais da Embrapa SemiÁrido em Petrolina (PE).
Chamando a atenção pela cor forte de seus frutos e os espinhos que se realçam na casa, esta planta está sendo cultivada, inicialmente, em quatro amostras irrigadas, com as primeiras produções. O cultivo do rambutão integra o projeto de inovação e introdução de novas culturas no Vale do São Francisco. De acordo com o pesquisador Paulo Roberto Coelho, o doce sabor, exuberância e produtividade têm “conquistado o mercado nacional e internacional, que não é muito grande, mas é economicamente viável”. Destaca que em mercados de São Paulo, um quilo de rambutão chega a custar R$ 20, em certas épocas do ano.
CARACTERÍSTICA – A planta, que começa a produção em apenas dois anos no seu habitat natural, produz frutos, ovalados e com cerca de 5 centímetros de comprimento. Tem casca firme que se destaca facilmente da polpa, e coberta com pelúcia macia e coloração vermelho-carmim, produzindo em pencas com quantidade variando de 15 a 30 frutos.
Sua polpa é doce, pouco ácida e semelhante à da uva, podendo ser utilizada em conservas e sucos, além de manter suas características originais no congelamento. A maturação dos frutos no estado normal ocorre de junho a outubro e sua produtividade pode sumente,perar 200 quilos por planta. Na área experimental da Embrapa, os frutos começaram a produzir em fevereiro e março, e já demonstram uma adaptação com o clima. “Ainda estamos avaliando o comportamento da planta para definir técnicas de manejo mais elaborada”, comenta o pesquisador.
A fruta desenvolve-se bem onde cresce o café, mas não suporta geadas e temperaturas negativas. Gosta de umidade no solo principalmente na florada, exigindo irrigação em caso de seca prolongada. O rambutão é originário do arquipélago Malaio e é muito semelhante à lichia, pois ambas são da mesma família. Os frutos são pouco maiores do que os da lichia, com peso médio de 20 gramas, coloração vermelha ou amarela. A polpa é branca, agridoce, de sabor agradável. A fruta é rica em vitamina C e as sementes têm um alto teor de óleo. Atualsumente, já é cultivado na Bahia, em áreas com altitudes inferiores a 300 metros e com pluviosidade anual acima de 1.100 milímetros, bem distribuída pela área.
DIVERSIFICAÇÃO – No submédio São Francisco, principal região de produção e maior pólo de exportação de manga e uva do País, as áreas cultivadas com estas culturas já alcançam 10 mil hectares e 22 mil hectares, respectivamente. O diretor da Embrapa SemiAacute;rido, Pedro Gama, revela que pesquisas estão sendo feitas com as diversas variedades. Ele conta que a situação produtiva da manga e da uva tem levado o negócio das duas culturas a apresentar sérios problemas relacionados aos preços das frutas. E isto pode se agravar com a expansão das suas áreas de cultivo para os novos perímetros irrigados. Portanto, a identificação de espécies com potencial econômico é importante para o negócio frutícola da região.
A diversificação de cultivos nas áreas irrigadas do semiaacute;rido é um dos principais desafios à programação de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa SemiAacute;rido nos próximos três a quatro anos. Em campos experimentais da instituição, já são avaliados o desempenho agronômico e produtivo de espécies de frutas e oleaginosas, a exemplo de rambutão, romã, caqui, tangerina, laranja, limão, pomelo, pêssego e oliveira, sob condições de irrigação. São culturas com alto valor agregado e potencial para ocuparem plantios comerciais nas áreas irrigadas em expansão no semiárido. A pesquisa em execução na Embrapa é coordenada pelo pesquisador Paulo Roberto Coelho Lopes e tem o apoio financeiro da Codevasf.
JUSCIANA KELLY