Análises vão mostrar se algas causaram contaminação
Exames que serão feitos hoje no laboratório de Geoquímica da Universidade Federal da Bahia vão indicar se as algas que foram vistas em grande quantidade nas primeiras semanas do desastre ambiental da Baía de Todos os Santos foram as responsáveis pela mortandade de peixes.
Para fazer os testes serão usadas ostras coletadas na região de Acupe e Saubara pela equipe do biólogo e coordenador do Laboratório de Plâncton, do Instituto de Biologia da Ufba, Paulo Mafalda. Ele integra a equipe técnica que colabora com as investigações feitas pelo Centro de Recursos Ambientais (CRA) para esclarecer as causas do desastre que levou à morte por contaminação mais de 50 toneladas de peixes na região noroeste da Baía de Todos os Santos (BTS).
As algas já foram identificadas. São do gênero gymnodinium e da espécie sanguineum, que, segundo o biólogo, não é comum na BTS.
“Elas ocorreram em concentração extremamente elevada, provavelmente devido à grande carga de nutrientes da baía”, disse. As algas identificadas fazem parte de uma classe de microalgas conhecidas como “dinoflageladas“ que produzem florações na água do mar principalmente em período de verão, ou outono. O número elevado dos microorganismos deixam a água turva e com coloração anormal .
Paulo Mafalda ressaltou que os resultados encontrados na Ufba correspondem aos que foram achados na Univale, de Santa Catarina e na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS). O que ainda falta saber é se elas produzem algum tipo de toxina que esteja relacionada com a morte dos peixes.
GOVERNO LENTO – Para o gerente-executivo da Fundação para o Desenvolvimento de Comunidades Pesqueiras Artesanais (Fundioesca), Francisco Javier Barturen Lopez, ”o governo está sendo lento em dar a resposta“. ”Com certeza é devido à atividade química do Recôncavo“, disse ele.
Barturen avalia que a mortandade de peixes vai afetar ”profundamente“ a natureza.
”Serão necessários pelo menos cinco anos para se recuperar“, afirmou, destacando que a perda vai muito além dos peixes maiores que morreram.
”Também foram junto milhões de alevinos ( filhotes de peixes recém-nascidos). É uma calamidade“, afirmou. Outra conseqüência, segundo ele, será a desestabilização social nas comunidades atingidas. ”Cesta básica não é suficiente, tem que ser aplicada uma política de compensação“.
De acordo com informações do CRA, mais um sobrevôo na Baía de Todos os Santos será realizado amanhã. Desta vez o objetivo é levar espécies de peixes, das que não resistiram ao acidente ambiental, como baiacus, xangós e carapebas para verificar a sua resistência nas águas do mar. Coordena o experimento, o professor Eduardo Mendes, da Ufba.