Cesta do Povo reabre com um novo modelo de gestão

03/04/2007

Cesta do Povo reabre com um novo modelo de gestão

 Foram reinauguradas ontem 184 lojas, que passam a contar também com vários serviços, como pagamento de contas

A população baiana de baixa renda volta a contar com a Cesta do Povo para adquirir mercadorias básicas para alimentação e produtos de higiene e limpeza. Depois de dois meses de atividades suspensas para reabastecimento, reestruturação das instalações e elaboração da nova política de ação da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), 184 das 375 lojas da Cesta foram reabertas ontem pelo governador Jaques Wagner. Na ocasião, foi inaugurada também, na loja do Ogunjá, uma unidade da Farmácia Popular do Brasil.

O governador disse que a Ebal estava falida, com uma dívida acumulada de R$ 300 milhões, sendo R$ 80 milhões para fornecedores. "Tivemos um processo de renegociação da dívida para viabilizar a rede. Fizemos um aporte financeiro para capital de giro e refizemos todo o sistema de distribuição de alimentos", explicou. Segundo Wagner, a abertura de apenas parte da estrutura é um teste para saber como será o fluxo da empresa.

Para Wagner, agregar serviços como a Farmácia Popular é fundamental para a existência da Ebal. "Você não consegue manter uma loja de produtos alimentícios se ela não estiver equipada com outros segmentos que possam garantir inclusive o seu chamado custo fixo. Então, estamos inaugurando a Farmácia Popular e vamos agregar outros serviços que possam justificar a manutenção da Cesta do Povo", observou.

O presidente da Ebal, Reub Celestino, informou como está sendo alterado o conjunto organizacional da empresa. "Estamos cortando todos os tipos de desvio interno que levam a custos operacionais e reduzimos o número de produtos para 210 itens que realmente servem à população. Os preços também estão mais baixos e por isso compatíveis com a filosofia da Ebal, de servir de referencial para outras empresas do mercado", afirmou. Ele disse que gradualmente serão abertas novas lojas, até atingir 375 unidades.

Pequeno comerciante.

Segundo Celestino, a empresa será transformada a partir do segundo semestre deste ano, quando será iniciado um novo sistema experimental da Cesta do Povo. "Deveremos trabalhar com o credenciamento e vamos multiplicar os pontos-de-venda da empresa. Não precisamos de pontos fixos, como nossas lojas. Preferimos ir à população, abrindo pontos de credenciamento nos bairros pobres, suprindo os pequenos comerciantes", declarou.

Ele destacou que a Ebal irá se abastecer com a produção familiar no campo, utilizando redes solidárias, como cooperativas e ONGs, via Ministério da Agricultura, Secretaria da Agricultura e outras instituições. "Isso tudo dentro de quatro critérios: os produtos devem ter interesse no mercado, qualidade, apresentação e preço", afirmou.

A Cesta vai disponibilizar também postos credenciados de instituições financeiras, que permitirão, entre outros serviços, o pagamento de contas. Além disso, o Cartão Credicesta, que permite ao servidor público do Estado comprar de forma consignada, com desconto em folha de pagamento, será mantido.

A aposentada Marilena Viana, 64 anos, disse que durante os dois meses em que a Cesta do Povo esteve fechada ela passou dificuldades. "Estava fazendo muita falta, porque a loja garante o nosso prato de cada dia. Quando eu chegava e via as prateleiras vazias, me dava até vontade de chorar, pois pra comprar em outros supermercados e com dinheiro vivo era muito difícil", declarou.

É o caso também do aposentado Carlos Alberto de Oliveira, 88 anos. "Estou feliz com o que está anunciado nesta reinauguração, porque vai melhorar a situação financeira principalmente para os aposentados, que não pagam na hora, porque é descontado em folha", disse.

Farmácia Popular.

O diretor da Assistência Farmacêutica do Ministério da Saúde, Manoel Santos, explicou que o programa da Farmácia Popular é desenvolvido em convênio com o Estado. "O ministério tem um orçamento voltado para a abertura dessas farmácias – são R$ 50 mil para reforma e adequação dos prédios. Depois, todo mês deslocamos R$ 10 mil para dar sustentação em termos de taxas e folhas de pagamento. O que passar disso torna-se responsabilidade do Estado", afirmou.

Ele ressaltou que a unidade inaugurada é a de número 285, "o que demonstra o sucesso desse programa federal que está dando para a população brasileira o acesso aos medicamentos". A previsão é que a Bahia ganhe mais 200 unidades da Farmácia Popular – 70 devem entrar em funcionamento ainda este ano, instaladas junto às lojas da Cesta do Povo.

As farmácias vão oferecer cerca de 97 tipos de medicamento (entre frascos, cartelas, bisnagas e injetáveis), custando até 90% mais baratos do que os produtos das lojas convencionais, além de preservativos masculinos. Os remédios são adquiridos em laboratórios públicos e privados do país, por meio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e repassados para o consumidor a preço de custo.

Para ter acesso aos medicamentos, os interessados precisam se dirigir às farmácias com receita médica ou odontológica. A lista de produtos disponíveis nessas farmácias está de acordo com a Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename).