Produção de milho será a maior da história
Expectativa é de colheita total de 50 milhões de toneladas e exportação de até 10 milhões de toneladas. Com metade da produção de verão colhida e 96,8% da safrinha plantada, a estimativa é que o País atinja uma safra de milho de 50 milhões de toneladas, a maior da história. Com isso, abre-se um espaço ainda maior para as exportações - que podem chegar a 10 milhões de toneladas. Grande parte deste volume virá da segunda safra de milho, estimada hoje entre 14 e 16 milhões de toneladas, dependendo da consultoria - o governo havia projetado 12,9 milhões de toneladas.
"Os números das vendas de sementes, muito superiores ao estimado, mostram uma colheita recorde", diz Paulo Molinari, analista da Safras & Mercado. Dados da Associação Paulista de Produtores de Sementes (APPS) mostram comercialização de semente de safrinha quase 60% maior que a do ano passado. Ontem, o Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral) divulgou os novos números da safra do grão no estado e muitas empresas reviram suas estimativas. "O milho está encostando na soja, podendo chegar a 50 milhões de toneladas", diz Carlos Cogo, da Cogo Consultoria Agroeconômica. Para o analista Fábio Turquino Barros, da AgraFNP, seguramente, com a área que foi semeada de safrinha, a produção ficará em pelo menos 14 milhões de toneladas. "Mas não podemos esquecer que há o risco climático", diz.
Além dos paranaenses, os produtores de Mato Grosso também contribuem para este aumento da produção. A estimativa é que a colheita da segunda safra fique próxima a 5 milhões de toneladas, de acordo com a AGRural. Toda a área já foi semeada no estado, faltando cerca de 5% no Paraná.
O excesso de produção aqui e nos Estados Unidos - a estimativa divulgada na sexta-feira apontava para uma área 15% maior - podem pressionar as cotações. Em Goiás, a saca é vendida a R$ 14 - que é o preço mínimo. No Paraná está em R$ 18,30. Apesar da queda dos preços de 1,7% na semana passada e 4,7% nos últimos 30 dias, no Paraná, segundo a Cogo Consultoria Agroeconômica, os valores são 36% maiores que os praticados no mesmo período do ano passado.
Molinari lembra que os preços em Chicago recuaram após o anúncio da área recorde de milho dos Estados Unidos e que, com o câmbio atual, o governo possa ter de subsidiar a exportação. "Se a safra americana e a nossa safrinha forem normais, vamos ter dificuldade de escoamento", afirma. Segundo ele, para o País comercializar com o exterior todo o excedente de produção, teria de aumentar os embarques, que nos próximos dias tendem a ficar com negociações travadas, devido à queda de Chicago. Entre 30% 35% da safra foi comercializada, sendo 3 milhões de toneladas contratadas para a exportação e 1,3 milhão de toneladas embarcadas.
Os números da safrinha e da produção dos Estados Unidos vão afetar também as exportações brasileiras. Para Barros, o excedente para o mercado externo dependerá da cotação do cereal. Cogo acredita que os volumes podem ser maiores que os estimados anteriormente, mas não descarta a intervenção estatal para subsidiar o preço, em virtude do câmbio - já que as cotações internacionais, apesar da queda, estão nos maiores patamares da década. "O cenário de médio e longo prazo não dá espaço para baixa suficiente para desestimular o segundo semestre", diz Cogo, lembrando que a produção dos Estados Unidos, apesar de maior, não atende ao crescimento da demanda de milho para etanol.
Colheita
As chuvas em excesso de fevereiro e março atrasaram o ritmo da colheita da safra de verão de milho. Até o momento, o percentual colhido é de 54,5% ante a 63,5% no mesmo período do ano passado, segundo levantamento da Safras & Mercado. Apenas no Rio Grande do Sul, onde o plantio é mais cedo, o índice é superior ao ano passado: 71% ante 67%.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 7)(Neila Baldi)