Centro-Oeste ameaça o Sul na liderança da produção de grãos

10/04/2007

Centro-Oeste ameaça o Sul na liderança da produção de grãos

Estados sulistas já ocupam toda a área disponível, o que não ocorre com os estados centrais. A região Sul sempre liderou a produção nacional de grãos. Isso porém tende a mudar. Em três anos o Centro-Oeste deverá ocupar este posto. Isso acontece porque os Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul já não dispõem de áreas disponíveis para expandir suas culturas anuais. Isso não ocorre no Centro-Oeste. Sobram áreas para a produção de grãos no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal.

Pesquisa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostra que os três estados sulistas devem colher na safra atual (2006/07) 56,5 milhões de toneladas de grãos. Isso equivale a 43,1% da safra nacional, estimada em um recorde de 131,1 milhões de toneladas.
Já o Centro-Oeste deve colher 43,6 milhões de toneladas, o equivalente a 33,2% do total. O Centro-Oeste já chegou a ultrapassar o Sul, uma única vez, na safra 2004/05 por causa de uma seca que afetou principalmente os estados Rio Grande do Sul e Paraná. Na ocasião, a área cultivada com grãos chegou a 42,5 milhões de hectares no Centro-Oeste, enquanto no Sul a 40,5 milhões.

A grande vantagem do Centro-Oeste, segundo o gerente de levantamento e avaliação de safras da Conab, Eledon Pereira, é a fronteira agrícola da região com potencial de ser duplicada nos próximos anos. O analista calculou com exclusividade para este jornal que nos últimos dezessete anos - entre as safras 1989/90 e 2006/07 - a produção agrícola do Centro-Oeste cresceu 287%, enquanto que o Sul cresceu apenas 54,8%. "Se mantiver o ritmo atual de crescimento, a região central do País vai ultrapassar o Sul com facilidade, definitivamente", disse.

O Centro-Oeste conseguirá crescer tanto por meio de produtividade, com o uso de tecnologia, como por meio de novas áreas, enquanto os estados sulistas só conseguirão aumentar a produção através de produtividade. explicou. Para o técnico da Conab, a região central do País ainda não ultrapassou o Sul definitivamente por conta do gargalo logístico que existe lá. "O crescimento é gradativo porque a região não tem infra-estrutura; faltam armazéns, estradas e, além do mais, fica longe dos portos. Esse são um dos fatores que impedem o crescimento mais rápido’’, acrescenta Pereira.

A mercadoria do norte de Mato Grosso é transportada por rodovias até o Porto Velho, depois transferida por balsas até Itaquatiara, no Rio Amazonas. Outra saída é o Porto de Santos ou Paranaguá. "As estradas de Mato Groso são mal conservadas e isso encarece os preços dos produtos’’, diz.

No Sul existe a opção logística, como o Porto de Rio Grande (RS) e Porto de Paranaguá (PR). A região Sul tem a maior área agrícola nacional, respondendo por 17,14 milhões de hectares, quase 38% da área total dos 45,98 milhões destinados ao plantio de grãos no País na safra 2006/07. O Centro-Oeste tem 13,87 milhões, número que pode duplicar nos próximos anos, segundo acredita Eledon.

O forte da agricultura brasileira sempre ocorreu nos estados do Sudeste. Os agricultores só começaram a produzir nos estados centrais do Brasil nos anos de 1970. Na ocasião, a terra era ácida, mas com o investimento tecnológico no solo a produtividade de grão naqueles estados já é superior aos demais. Em Mato Grosso a produtividade da soja é de 2,988 quilos por hectare, em Goiás, 2,820, enquanto em Santa Catarina e Rio Grande do Sul é de 2,760 e 2,310 quilos por hectare, respectivamente.

VIVIANE MONTEIRO