5 mil sem-terra acampam na margem da BR
Barracas improvisadas com lona e madeira formavam o acampamento onde cinco mil pessoas se preparavam para passar a noite de ontem, no km-555 da BR-324, sentido Santo Amaro-Salvador. O grupo do Movimento Sem-Terra (MST), do qual participam mil integrantes do Movimento dos Trabalhadores Assentados, Acampados e Quilombolas (Ceta), está em marcha desde segunda-feira, quando saíram de Feira de Santana em direção a Salvador.
Hoje, eles percorrem cerca de 15 quilômetros, o que geralmente fazem de manhã, e param para acampar novamente. A previsão é que amanheçam a próxima quartafeira já em Salvador. O dia 17 está marcado como o Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária e relembra os 11 anos do massacre de Eldorado dos Carajás, em que 19 sem-terra foram mortos em conflito, no Pará.
“Nossa indignação é o que nos faz caminhar”, afirmou um dos coordenadores estaduais do MST, Jailzo Sena. Hoje, uma comissão formada por representantes de ambos os movimentos participa de audiências com os secretários estaduais da Educação e da Saúde.
Ontem, também foi inaugurada uma série de reuniões com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que terá continuidade nos próximos dias.
“O nosso principal objetivo é obter agilidade no processo de reforma agrária, que está parado”, declarou a coordenadora do Ceta, Ednólia Oliveira. Este grupo conta com 12 mil famílias acampadas e assentadas em todo Estado. Um dos coordenadores nacionais do MST, João Paulo Rodrigues, chegou ontem de São Paulo apenas para conferir e apoiar a caminhada baiana. “Essa é uma das maiores marchas na história da Bahia. Quis ver de perto essa experiência”.
Rodrigues explicou que a atividade faz parte de uma jornada nacional de luta que está ocorrendo em todas as capitais do País, através de marchas, ocupações e vigílias.
De acordo com ele, o MST também está protestando contra a política do agronegócio e reivindicando que o governo Lula mude sua política econômica. “Para gerar emprego no Brasil, tem que haver reforma agrária”, assegurou.
COTIDIANO – O dia no acampamento sem-terra começa cedo. Por volta das 5 horas, todo mundo levanta, lava o rosto, toma o café da manhã e bota o pé na estrada, para dar seguimento à marcha. Não há tempo a perder. Pela frente, são 15 quilômetros de chão até a próxima área onde seja possível acampar.
No final da manhã, já estão todos assentados outra vez. Descansam, almoçam e, à tarde, iniciam o turno de reuniões e atividades das nove comissões, responsáveis por setores de saúde, cultura, disciplina, entre outros.
Fica tudo dividido e cada grupo se ocupa de organizar parte do movimento. À noite, o caminhão de som faz a diversão dos acampados, com música e, até mesmo, filme exibido em telão improvisado. Mas aí, já é hora de dormir, pois o dia começa cedo outra vez.