Na Zona da Mata, cheirar café não é mais prova
É um processo de realimentação. "Sem financiamento do Pronaf nada poderia ser feito. Mas só com o Pronaf, muito pouco seria feito. Tudo que se conseguiu na Zona da Mata nestes últimos anos, como a melhora da qualidade do café e a melhora de vida da família que planta e cuida do café, se deveu ao financiamento, à assistência técnica e à conscientização dos agricultores". O comentário é de Bernardino Cangussu Guimarães, funcionário do governo de Minas, agrônomo responsável pela assistência da Emater na região.
Bernardino conta uma história. Até cinco anos atrás, o costume era o agricultor familiar chegar na cidade e dar uma amostra, em grãos, do seu café para avaliação do comprador. Este cheirava o café na palma da mão e respondia: "Não é bom. Pago tanto". E esse tanto era sempre abaixo do que o agricultor pretendia.
"A gente acabava vendendo mesmo assim, aceitando qualquer preço", completa Gilberto Romeiro de Abreu, 32 anos, plantador de café em três hectares, em regime de comodato, nas montanhas do Córrego do Catalão e que, na safra passada, colheu 170 sacas.
"Mas a coisa mudou", continua Gilberto. "A gente sabe que o café é bom, pois é bem cuidado, tem agrônomo acompanhando o plantio, o crescimento, a colheita e a pós-colheita. E já não precisa mais viver pedindo pequenos favores antecipados ao comprador, pois tem o financiamento do Pronaf. Então, a gente passou a exigir que o teste de qualidade seja feito com a bebida, não com o cheiro. E muda de comprador, se não houver acordo. Nossa luta agora é pela instalação de um laboratório de testes em Manhuaçu, pago pela prefeitura e com um provador independente". (PT)