Dólar fraco frustra cafeicultor baiano

13/04/2007

Dólar fraco frustra cafeicultor baiano

As cotações internacionais do café vêm se recuperando, mas, com a desvalorização do dólar ante o real, os preços ao produtor brasileiro estão abaixo dos custos de produção. Segundo o presidente de honra da Associação dos Produtores de Café da Bahia (Assocafé), João Lopes Araújo, o produto está com preços bons para o mundo todo, menos para os cafeicultores brasileiros, por causa da valorização do real.

“Nos últimos quatro anos, o produtor brasileiro de café vendeu o produto abaixo do custo de produção, o que descapitalizou o setor que precisa pagar suas dívidas e fazer novos investimentos”, disse Araújo, que participou do VII Encontro da Cafeicultura do Cerrado da Bahia, encerrado ontem, em Luís Eduardo Magalhães.

O presidente da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Humberto Santa Cruz, ressalta que, ao mesmo tempo que o preço do café é dolarizado, os insumos utilizados na sua produção são cotados em real, o que reflete diretamente nos custos de produção. “Já que essa é uma política do governo, nós temos que ter alguma coisa que compense isto na agricultura, pois, enquanto os insumos estão subindo o preço do produto está caindo e isso é preocupante”, diz.

No entanto, apesar deste descompasso entre preço de produto e custo de produção, o oeste da Bahia tem a cafeicultura mais moderna do mundo em termos de tecnologia, conforme afirmou o coordenador de planejamento do departamento de café do Ministério da Agricultura, Lukas Tadeu Ferreira. Ele justifica sua afirmativa apontando a produtividade média de 50 sacas por hectare que a região alcança, contra a média nacional que é de 19 sacas/ha. A região tem 14 mil hectares plantados com café, dos quais, 11 mil estão em produção.

Para João Lopes Araújo, é fundamental para os cafeicultores a divulgação do café brasileiro no mercado internacional para agregar valor ao produto nacional. Entretanto, ele destaca que o País está atrasado, pois ficou dez anos sem investir em marketing.

Ele exemplifica dizendo que a Colômbia, que produz quatro vezes menos café que o Brasil, investe cerca de US$ 30 milhões por ano em marketing, enquanto que, este ano, o Conselho Deliberativo da Colheita do Café (CDCC) tem R$ 10 milhões para divulgar o café brasileiro. “É pouco, mas acho que estamos no caminho certo”, afirma Araújo.

O VII Encontro da Cafeicultura do Cerrado da Bahia terminou ontem com visitas a três campos experimentais no município de Luís Eduardo Magalhães (960 km de Salvador). O evento, que reuniu cerca de 300 pessoas entre cafeicultores, técnicos e pesquisadores da região oeste do Estado e de outras regiões do Brasil, discutiu estratégias de comercialização, promoção e marketing do café brasileiro, com enfoque para a produção regional, estimada em 33,6 mil toneladas na safra 2007.

PESQUISA – Uma característica dos produtores do cerrado da Bahia é o investimento feito em pesquisa através da iniciativa privada em parceria com órgãos governamentais, não só em café, mas nas principais culturas da região, como soja, milho e algodão. Segundo Humberto Santa Cruz, o resultado é “essa liderança que a gente exerce em termos de produtividade.

Isso reflete um pouco essa filosofia que os produtores têm da necessidade de pesquisa”.

Editado desde 2001, o Anuário da Cafeicultura do Cerrado da Bahia 2007 foi lançado durante o encontro. Como resultado da pesquisa realizada no oeste baiano, o anuário já publicou 86 trabalhos desenvolvidos na região com acompanhamento de técnicos e pesquisadores renomados nacionalmente.]

MIRIAM HERMES