Agricultores do Recôncavo plantam cacau consorciado

16/04/2007

Agricultores do Recôncavo plantam cacau consorciado

Agricultores da região de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo baiano, estão ampliando a área plantada com cacau, na busca de alternativas econômicas. Na semana passada, durante um dia de campo na zona rural sobre a diversificação da lavoura, dezenas deles anunciaram a intenção de investir no cacau, a partir de mudas clonais.


O dia de campo em Santo Antônio, tradicional produtor de cítricos, buscou estimular a diversificação das lavouras nas pequenas propriedades. A programação reuniu dezenas de produtores das comunidades rurais, que receberam informações sobre como implantar uma lavoura de cacau e realizar os tratos culturais necessários para elevar a produtividade da planta.


O encontro foi promovido pela Secretaria da Agricultura, Indústria, Comércio e Meio Ambiente e pela Gerência Regional da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) de Laje. O secretário municipal de Agricultura, Galdino Modesto, anunciou 15 mil mudas para distribuir entre os produtores interessados em plantar o cacau ou renovar suas lavouras. “Este é um grupo preocupado com o meio ambiente e interessado em plantar cacau consorciado.


O projeto é estimular a criação de lavouras consorciadas com laranja e mandioca, entre outras plantas, sem descuidar do meio ambiente”, explicou o secretário.
De acordo com o prefeito Euvaldo Rosa, o objetivo é estimular a criação de agrossistemas. “Por isso estamos repassando tecnologias que possam dar ao produtor informações sobre como potencializar a cacauicultura consorciada com outras produções”, disse. Os produtores visitaram o Campo do Governo, onde está instalado um viveiro de mudas de cacau que serão distribuídas entre eles.

Em campo, o agente de diversificação em agropecuária da Ceplac Dalmar Batista de Almeida repassou aos produtores informações sobre como fazer a implantação de uma lavoura de cacau. Depois, eles assistiram a uma demonstração de como fazer o plantio de mudas. O técnico mostrou como realizar a poda do cacaueiro para estimular a formação de brotos e o aumento da produtividade. “Eles estão interessados em aprender sobre a lavoura do cacau e, uma vez por mês, as comunidades onde há o cultivo e a demanda de cacau receberão assistência técnica da Ceplac”, garantiu o técnico.

Pedido de apoio e crédito ao governo

No município de Santo Antônio de Jesus, 30 propriedades rurais já produzem cacau. No dia de campo, ao observar o potencial da lavoura cacaueira para agregar renda à sua propriedade, com mais de mil pés, no distrito do Bonfim, Elvira Maria dos Santos, 66 anos, passou a procurar por informações. “Vim aqui porque quero melhorar os tratos culturais de minha lavoura”, disse, animada com as informações recebidas.

Outro participante, Jorge Elias de Almeida, comerciante de cacau há mais de 20 anos, viu na cultura uma melhor alternativa econômica. Jorge Elias, que não se considera agricultor e sim empresário rural, disse que o que mais lhe atrai no cacau é a possibilidade de diversificação com outras culturas. “Estou investindo no cacau pela sua facilidade de venda. Não existe outra cultura que tenha procura do que esta”, assegura o comerciante.

Ele defende a necessidade de o governo estimular a cultura como forma de preservação e estímulo à geração de renda. “Não há forma melhor do que dar apoio e crédito na manutenção da cultura cacaueira”, raciocina. Para a agricultora Maria de Lourdes Rodrigues Santos disse que o dia de campo foi fundamental para levar informação aos produtores da região. ”Eu possuo 1.500 pés de cacau novo para fazer o clonado, mas não tenho conhecimento sobre o cultivo. Os pequenos produtores não têm conhecimento técnico e cometem erros graves ao cuidar das lavouras, e o dia de campo ajuda a corrigir essas coisas“, comentou ela.

 

CRISTINA SANTOS PITA