CNA defende ampla renegociação para dívidas
A tendência de melhora na renda do produtor rural em 2007 será insuficiente para recuperar o prejuízo acumulado ao longo dos últimos dois anos. A Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) anunciou ontem um ligeiro acréscimo de 0,06% no Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio.
Também divulgou a previsão de uma elevação de 8,6% no faturamento bruto das lavouras e da pecuária nacional. Mas avisou que o "rombo" calculado em R$ 23,8 bilhões desde 2005 não será coberto com a melhora neste ano. "As dívidas são um problema para o equilíbrio do setor. Em 2007, teremos recuperação, mas não será suficiente para cobrir o rombo", previu o superintendente técnico da CNA, Ricardo Cotta.
Com essa premissa, os ruralistas já começaram a mobilização por uma ampla renegociação das dívidas do setor, focando inicialmente os créditos para investimento agropecuário. E encontraram grande abrigo no Ministério da Agricultura.
O ministro Reinhold Stephanes já avisou que trabalhará por uma repactuação dentro do governo. "O grau de endividamento é alto. Precisamos de três ou quatro safras boas. Tenho que defender a agricultura, mas tenho que entender o todo do governo", avisou na quarta aos deputados da Comissão de Agricultura da Câmara. A senha, já contida em seu discurso de posse, foi entendida pelos ruralistas como a "abertura" de uma porta fundamental para os interesses do setor.
Os dados divulgados pela CNA mostram uma forte recuperação de 10,3% no faturamento das lavouras neste ano - ou seja R$ 10,4 bilhões a mais do que em 2006. A pecuária deve crescer 6,6% e agregar R$ 4,6 bilhões ao segmento. Numa análise ainda mais detalhada, é possível ver uma recomposição de 15,2% nos grãos, especialmente na soja (14,6%), cana-de-açúcar (13,8%) e laranja (39,2%). No total, a agropecuária deve elevar em 8,6% - ou R$ 15 bilhões - seu faturamento bruto, que passaria de R$ 173,05 bilhões para R$ 188,02 bilhões em 2007, segundo a CNA.
A CNA vê, porém, algumas ameaças que podem complicar o desempenho em 2007. Mesmo com os custos menores das lavouras na última safra, a logística ainda pesa no resultado final. "O câmbio também pressiona a formação de preços em real", analisa Ricardo Cotta. Além disso, diz, parte da produção deste ano foi vendida com preços inferiores aos praticados hoje no mercado. As incertezas sobre os segmentos de frango e de suínos, com preços externos em baixa e elevação dos preços do milho, também são preocupantes para o resultado final, avalia a CNA. Os preços de matérias-primas, como adubos e fertilizantes, subiram 30% nos últimos 12 meses. "Isso pode ser decisivo para determinar se haverá lucro ou prejuízo para o produtor", afirma Cotta.