Nunhems e Unilever em busca do melhor tomate
Meta é gerar frutos mais nutritivos e ao gosto do consumidor, diz Carlos Eduardo Dalla, gerente da Nunhems no país. Fruto confundido normalmente com legume, ele está presente nas mesas da maioria dos brasileiros. Light - possui 14 calorias por cada 100 gramas - e rico em licopeno, vitaminas do complexo A e complexo B, vitamina C, cálcio, potássio e ácido fólico, atua como coadjuvante na prevenção do câncer e no fortalecimento do sistema imunológico. Seu cultivo teve início no século XII pela civilização inca da região onde onde se situa o Peru e, ao longo de séculos e das colonizações, foi levado a outros países. De acordo com dados da FAO - braço da ONU que se dedica à agricultura e alimentação - a produção de tomates no mundo gira em torno de 125 milhões de toneladas ao ano, sendo o Brasil o nono maior produtor, com 3,3 milhões de toneladas por ano.
Segunda hortaliça mais consumida no mundo, perdendo apenas para a batata, o tomate tornou-se alvo de duas gigantes globais. A Unilever e a Nunhems - divisão de sementes de hortaliças da Bayer CropScience - , fecharam um acordo mundial para o desenvolvimento de variedades de tomates com alto teor nutricional e com o sabor que mais agrada aos consumidores. Como parte do acordo, a Nunhems adquiriu o negócio de sementes da Unilever e o seu banco de germoplasmas. Juntas, as empresas vão desenvolver pesquisas com as sementes e as novas variedades serão de uso exclusivo da Unilever.
"O interesse é desenvolver variedades com sabor mais acentuado, que tenham maior nível de antioxidantes como o licopeno e tenham uma boa produtividade no campo. Mas acima de tudo, o importante é melhorar o sabor para os nossos molhos", afirma Colin Haine, diretor do centro mundial de excelência em tomates da Unilever. A expectativa, conforme Haine, é que as primeiras variedades comecem a ser produzidas dentro de três anos.
Para Carlos Eduardo Dalla, gerente de vendas e marketing da Nunhems e responsável pela divisão no Brasil, a melhoria do sabor, segundo ele, será o principal benefício. O desenvolvimento das variedades é todo feito por cruzamentos convencionais (sem transgenia), o que vai garantir variedades mais ou menos doces, mais ou menos ácidas, com mais ou menos betacaroteno (o que garante a cor avermelhada ao fruto). Mas ainda não se pode pensar em um tomate com leve sabor de azeite, por exemplo. "É possível chegar a sabores bem diferenciados, mas isso levará muitos anos", afirma Dalla.
O tomate é uma das principais matérias-primas utilizadas pela Unilever, tendo como destino principal molhos, sopas e ketchup, sob as marcas Hellmann's, Arisco e Knorr. No mundo, a empresa utiliza 1,5 milhão de toneladas de tomate por ano.
O Brasil é o segundo principal mercado, depois dos Estados Unidos, com um consumo médio de 400 mil toneladas por ano. A fábrica de molhos da empresa funciona em Goiânia (GO) e a oferta do fruto é feita por agricultores do Estado contratados pela empresa. As variedades utilizadas no Brasil são testadas no centro de pesquisas da empresa em Valinhos (SP) e em sua fazenda experimental, em Goiânia.
Conforme Dalla, a parceria com a Unilever implicará no desenvolvimento de variedades voltadas para o consumidor final - o chamado tomate de mesa. "A Nunhems enriqueceu o seu banco de germoplasmas e algumas características obtidas no tomate para indústria também poderão ser aproveitadas para o desenvolvimento de variedades de mesa".
A Nunhems é uma empresa holandesa com 90 anos de existência. Foi incorporada pela Bayer em 2002 no processo de aquisição do negócio agrícola da Aventis. Globalmente, a empresa trabalha com 26 espécies de hortaliças e mais de 2 mil cultivares. Entre os principais itens comercializados pela empresa no país estão tomates, cebolas, melões, melancias e cenouras . As sementes, adquiridas nos cinco continentes, são processadas nas fábricas em Parma (EUA), Haelen (Holanda) e Hyderabad (Índia) e importadas. No Brasil, a empresa mantém escritório em Campinas e duas unidades experimentais, em Paulínia (SP) e Mossoró (RN). (CB)