Produtores ameaçam indústria de reduzir área

16/04/2007

Produtores ameaçam indústria de reduzir área

 

 

A alta dos preços dos adubos neste ano promete gerar mais discórdia entre produtores e indústria, além de envolver o governo. O setor produtivo de alguns estados registram alta de preços este ano superior a 50% no varejo, enquanto que a matéria-prima para produção de fertilizantes aumentou, em média, 28%. O setor industrial se defende garantindo que fechou em vermelho nos últimos dois anos e que tenta este ano não repetir o desempenho ruim.
O presidente da Comissão de Financiamento e Seguro da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Carlos Sperotto, ameaça denunciar as empresas ao governo. Diz que espera que o governo exija explicações das indústrias, ou seja, que justifiquem essas altas por meio da apresentação das planilhas de custos.
Sperotto conta que a triticultura do Sul do País, por exemplo, já recebeu menos adubação nesta safra, por causa do preço extorsivo desses insumos, que subiu este ano entre 30% e 60%, dependendo do princípio ativo. Em Goiás, o setor ameaça abandonar o cultivo de soja e milho, e arrendar terra para as usinas plantarem cana-de-açúcar. O assessor técnico da Federação da Agricultura de Goiás (Faeg), Pedro Arantes, afirmou que se os preços do adubo continuarem nos patamares atuais haverá redução do cultivo de soja e milho, culturas que representam cerca de 70% da área plantada do Estado, segundo Arantes.
Levantamento feito pela Faeg identificou que em março deste ano a tonelada do adubo para soja no município de Jataí custou R$ 740, valor que foi de R$ 480 no mesmo mês de 2006 (54%). "Em abril, já temos apurado preços próximos de R$ 800. Se considerar o valor atual da saca de soja - R$ 27 - serão necessários 29,5 sacas para adquirir uma tonelada de adubo, relação que varia entre 23 e 24 sacas", diz Arantes. Por isso, a Faeg recomenda que o produtor deixe para planejar a lavoura no último momento.
Mas, os valores dos adubos não devem cair, mesmo se o produtor protelar a compra, para o último momento, na avaliação do diretor da Céleres, Anderson Galvão. A estimativa do mercado é de que esse quadro de alta persista por mais dois anos, até que novas fontes de produção de matéria-prima para fertilizante entrem em operação. Mesmo com essa perspectiva de alta, Galvão acredita que é cedo para projetar queda de área. "Há indicativos no mercado de que os preços da soja e do milho vão subir", pondera.
Margens de lucro
Segundo levantamento da Associação dos Misturadores de Adubos (AMA-Brasil), as indústrias de fertilizantes tiveram nos últimos dois anos prejuízos de 5% na atividade, por conta do encolhimento da demanda pelo produto, reflexo da crise agrícola. "Apesar de poucos grupos controlarem a matéria-prima, o setor de fertilizantes é muito competitivo. Há cerca de 100 empresas disputando o mercado. Qualquer redução na demanda, faz a margem de lucro desaparecer", afirma Carlos Eduardo Lustosa Florence, diretor-executivo da AMA. No primeiro bimestre deste ano, ele estima que a margem das indústrias já esteja positiva em 5%.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 7)(Fabiana Batista)