Codevasf é ocupada em Bom Jesus da Lapa

17/04/2007

Codevasf é ocupada em Bom Jesus da Lapa

Um grupo formado por cerca de 600 pessoas, que participam de movimentos sociais na região do Médio São Francisco, ocupou, ontem pela manhã, a sede da 2ª Superintendência da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf), em Bom Jesus da Lapa (840 km de Salvador, no oeste do Estado).

No mesmo prédio funciona o escritório local do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Os superintendentes dos dois órgãos, Antônio Carlos Monteiro (interino da Codevasf) e Manoel da Rocha de Oliveira (Ibama), foram mantidos no local, junto com o coordenador regional do Instituto Nacional de Reforma Agrária (Incra), Hamilton Félix.

De acordo com os organizadores, os três só serão liberados após a confirmação das audiências com os três órgãos federais, bem como com a Fundação Palmares e a Diretoria Regional de Educação. Ontem, durante o dia, não houve atendimento ao público na Codevasf e no Ibama.

SEM PRAZO – A ocupação por tempo indeterminado faz parte das atividades do chamado Abril Vermelho, que desde o início deste mês realiza manifestações em diversos Estados, e da campanha pela revitalização do Rio São Francisco e contra o projeto de transposição.

De acordo com o coordenador do Grupo de Articulação Popular do Médio São Francisco, Samuel Britto das Chagas, “o principal objetivo do grupo é continuar a jornada de lutas denunciando a transposição, exigindo um programa de revitalização efetivo e que tenha abrangência em toda a bacia hidrográfica, bem como um programa de convivência com o semiaacute;rido”.

Para que a região possa se desenvolver, os representantes dos movimentos sociais destacam que a revitalização deve garantir a regularização fundiária, bem como precisa haver um cuidado com os afluentes do São Francisco, matas ciliares e lagoas marginais.

O saneamento das cidades e a despoluição dos rios são citados, assim como uma fiscalização ambiental atuante junto com uma orientação e educação.

Os participantes do movimento dizem ser muito importante mobilizar o Incra, “pois é preciso implementar a reforma agrária na bacia do São Francisco, bem como regularizar a reserva extrativista de Serra do Ramalho”, destacou Samuel, acrescentando que há necessidade de projetos estruturais, que fixem o homem na sua terra.

A mobilização tem apoio do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento dos Trabalhadores Assentados, Acampados e Quilombolas da Bahia (Ceta), sindicatos de trabalhadores rurais, Pastoral da Juventude do Meio Popular, Comissão Pastoral da Terra, Rede de Organizações em Defesa da Água (Roda) e Escola Familiar Agrícola de Correntina (Efacor).

MIRIAM HERMES