Preservação da caatinga une a Bahia e o Ceará

17/04/2007

Preservação da caatinga une a Bahia e o Ceará

Proposta inclui a recuperação das áreas degradadas nos dois estados

A preservação do bioma caatinga pautou o encontro, na semana passada, do secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Juliano Matos, com o presidente do Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente do Ceará, André Barreto. Foi firmado um compromisso de parceria no Projeto Mata Branca, em execução nos dois estados, visando recuperar áreas degradas e desenvolver atividades produtivas e sustentáveis.

Matos destacou a importância da cooperação técnica entre os dois estados no Mata Branca, tradução do tupi-guarani para caatinga. "O projeto quer ampliar as ações em educação ambiental, sensibilizando para a importância da preservação do bioma e propondo alternativas economicamente sustentáveis para as populações que habitam a caatinga", disse.

A nova etapa deve ter financiamento renovado pelo Fundo para o Meio Ambiente Mundial (GEF), via Banco Mundial (Bird). A expectativa, segundo Barreto, é que os recursos sejam aprovados em junho, na reunião do conselho do banco.

Seminários, mesas-redondas, videoconferências, visitas técnicas, exposições fotográficas e lançamento de livros são as atividades programadas pela Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) para marcar o Dia Nacional da Caatinga, no próximo dia 28, em Paulo Afonso.

A programação feita pela Semarh acontece entre os dias 27 e 29 deste mês e contará com a participação de líderes de comunidades tradicionais, da sociedade civil e das universidades.

Segundo o assessor especial da Semarh, Juracy Marques, que coordena a Bacia Hidrográfica do São Francisco, a iniciativa tem como objetivo sensibilizar a comunidade local para a conservação da caatinga e também formular um programa de ações que será desenvolvido no local. "Vamos construir uma agenda positiva do bioma caatinga", afirmou.

Reais necessidades

Marques lembrou que o desmatamento e as queimadas são ainda práticas comuns no preparo da terra para a agropecuária. "Além de destruir a cobertura vegetal, prejudica a manutenção de populações da fauna silvestre, a qualidade da água e o equilíbrio do clima e do solo", explicou.

"As pessoas estão inseridas no contexto da caatinga, mas não conhecem as reais necessidades e peculiaridades do seu próprio bioma", declarou o membro do Projeto Conservação e Uso Sustentável da Caatinga, Francisco Campello. Segundo ele, o evento organizado pela Semarh é o momento propício para socializar os conhecimentos e propor alternativas para a comunidade.

Matos confirmou presença em Paulo Afonso durante a programação. Também foram convidados a ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, e o embaixador da Suíça no Brasil, Rudolf Barfuss, que apóia iniciativas para a preservação da caatinga.