Varejo e produtor se unem para promover consumo de batata

17/04/2007

Varejo e produtor se unem para promover consumo de batata



 


Existem 400 variedades de batatas em produção no Brasil, cada uma com características adequadas para determinados pratos. Mas a maioria dos consumidores reconhece apenas dois tipos: a inglesa e a batata-doce. Uma iniciativa inédita do grupo Pão de Açúcar (CBD) tenta reverter esse quadro. A partir desta semana, chegam às gôndolas das redes Pão de Açúcar, Extra, Extra Perto e Compre Bem versões embaladas das variedades daisy, caesar, cherry e asterix. 


Nas primeiras semanas, os produtos serão testados nas redes em São Paulo. Em um mês, o programa será ampliado para as praças do Rio de Janeiro, Curitiba e Brasília e, depois, no restante do país. O grupo promoverá as batatas nos pontos-de-venda, com instalação de banners e ações de degustação. 


Durante a divulgação, o grupo explicará, por exemplo, que as batatas daisy e caesar, de massa mais compacta, são ideais para assar. A asterix, de casca rosada e ´impermeável´ ao óleo, ideal para a fritura. A cherry tem a mesma qualidade para fritura, mas tem cor clara e sabor mais suave. "O consumidor perdeu a noção das variedades, e a venda de batatas caiu na vala dos preços. Nos inspiramos no movimento que existe na Europa e nos Estados Unidos de vender as variedades com apelo culinário", afirma Leonardo Miyao, diretor de compras do grupo Pão de Açúcar. 


Essas batatas, conforme Miyao, receberão nos rótulos informações sobre a origem da produção, qualidades culinárias e dicas de receitas. O grupo importou dos EUA embalagens plásticas vazadas no fundo (como uma espécie de rede), o que garante mais tempo de vida útil na gôndola. Os produtos serão comercializados sob a marca Mr. Valley e terão preço até 30% superior ao das batatas a granel. 


Para o primeiro mês, o grupo preparou 400 toneladas para venda. "A meta é que 10% das vendas de batatas sejam desses itens de maior valor agregado", afirma. Ele preferiu não informar quanto o grupo comercializa no país, mas informou que, apenas no Estado de São Paulo, esse volume gira em torno de 100 toneladas por dia. 


Miayo diz ainda que sempre houve interesse do grupo em agregar valor à batata e a outras hortaliças. "O mercado trabalha com batatas de alta produtividade, mas não havia preocupação com o sabor e a qualidade culinária", diz. 


Em parceria com a Associação Brasileira de Bataticultores (ABBA), foram identificados produtores interessados em plantar as variedades, cujas sementes foram importadas da França. O principal fornecedor será o grupo mineiro Rocheto - maior produtor do país e fornecedor da Elma Chips. De acordo com Miyao, dependendo do sucesso obtido nesta campanha, o grupo fará iniciativas semelhantes com cebolas e cenouras. 


Nos últimos meses, o preço da batata despencou no país em decorrência do aumento da área plantada e excesso de produção. Em protesto, agricultores chegaram a jogar produto fora. 


A saca de 50 quilos, que chegou a ser vendida pelo produtor a R$ 100 em 2006, custa hoje em torno de R$ 30, informa Álvaro Legnaro, pesquisador do Cepea/Esalq. Nas últimas semanas, com o fim da safra das águas e a redução da oferta batata, as cotações voltaram a subir. Nos últimos 30 dias, o preço ao produtor teve alta de 51,8%, para R$ 38,24 a saca. No atacado, conforme levantamento da RC Consultores, o quilo subiu 39,4% no mês, para R$ 35,60 a saca.