R$ 17 milhões para sem-terra

18/04/2007

R$ 17 milhões para sem-terra

A marcha dos sem-terra, em Salvador, terminou no final da manhã de ontem após o encontro com o governador Jaques Wagner, no Centro Administrativo da Bahia (Cab). As reivindicações não foram atendidas como pretendiam, mas a promessa do governador de liberar, até o final de ano, R$ 17,05 milhões para os assentamentos da reforma agrária na Bahia, acalmou os ânimos dos cerca de cinco mil manifestantes que ocuparam a Avenida Paralela desde cedo.

Depois de se reunir por uma hora com os 21 representantes dos sem-terras, em seu gabinete, na governadoria, Wagner foi ao estacionamento para dar a notícia aos integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) e do Movimento dos Trabalhadores Assentados (Ceta). Em cima de um caminhão-palanque e usando os bonés do CETA e depois do MST, o governador anunciou recursos para a aquisição de sementes, abertura de estradas vicinais, assistência técnica e construção de novas moradias nos assentamentos.

“A manifestação foi um ato de civilidade e que deve ser reconhecida pela própria sociedade. A sociedade deve agradecer a existência do MST e do CETA, pelo trabalho social que desenvolvem. E que eles sejam sempre bem vindos à Salvador e à governadoria”, disse o governador.

Segundo Jacques Wagner, o Estado vai incentivar a parceria com as diversas lideranças dos sem-terras, para que futuramente os assentamentos possam se tornar produtivos e auto-suficientes e, até mesmo, comercializar seus produtos agrícolas nas lojas da Cesta do Povo. “Por que os sem-terra não podem vender seus produtos nas cidades?. vamos sim, incentivar isso e criar condições para tal”, disse.

ACORDO - Os trabalhadores rurais sem-terra chegaram à governadoria às 9h30, depois de uma caminhada de 10 quilômetros pela avenida Paralela e ruas do Centro Administrativo da Bahia (Cab).

Pelo acordo com o governador Jacques Wagner, o Estado irá construir três mil casas e reformar outras cinco mil moradias nos assentamentos rurais, recuperará mil quilômetros de estradas vicinais, com investimentos de R$ 5 milhões, e instalará 10.836 pontos de energia elétrica. Além disso destinará R$ 2 milhões para assistência técnica, R$ 2,6 milhões para aquisição de equipamentos para produção agrícola, R$ 6 milhões na compra e distribuição de sementes e R$ 1 milhão na construção de galpões para armazenamento de produtos e equipamentos agrícola, e mais R$ 450 mil para outras atividades de reforma agrária.

SEM TRÉGUA - O coordenador regional do MST e integrante da direção nacional, Márcio Matos, disse que as respostas do Governo ficaram aquém do esperado, mas que, mesmo assim, significaram uma mudança de postura ante o movimento dos trabalhadores.

“Vamos continuar a nossa luta, com a pressão para que a reforma agrária avance e, se necessário, fazendo novas ocupações no Estado”, disse.

Já a coordenadora regional do CETA, entidade que representa 12 mil famílias instaladas em 50 acampamentos em todo o Estado, Ednólia Oliveira, os acordos feitos com o governador Jacques Wagner não significam trégua na luta. “A demanda é muito grande e será necessário continuarmos a pressão para que sejam atendidas”, disse.

Na Bahia, o MST é o maior núcleo de trabalhadores rurais sem -terra, reunindo 25 mil famílias em 150 acampamentos. Este ano o MST fez 50 novas ocupações. Além do próprio MST e do CETA, os sem-terras na Bahia estão agregados em outras três militâncias: Movimento pela Libertação da Terra (MLT) da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Fetag, e mais recentemente no Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD).