Bahia e EUA querem promover a ampliação das relações comerciais
Os americanos pretendem firmar acordos de cooperação nas áreas energética, empresarial, comercial e de turismo
O estreitamento das relações entre a Bahia e os EUA deve ser feito por meio de missões e aumentando os investimentos e o fluxo comercial entre as duas regiões, pois o estado é rico em clima, povo e cultura. A declaração, do embaixador dos EUA, Clifford Sobel, no seminário Desafios e Perspectivas para a Bahia 2007/2010, realizado ontem, com a participação do governador Jaques Wagner, demonstra o interesse dos americanos em firmar acordos de cooperação com a Bahia nas áreas energética, empresarial, comercial, de transferência tecnológica e de turismo.
Sobel reafirmou a importância do potencial baiano na produção de biocombustíveis, como o etanol, que desperta um interesse especial dos EUA. "O Brasil é uma potência energética emergente e um dos principais atrativos da produção do país é o preço do etanol, que oferece uma perspectiva para a transformação do mercado de combustíveis renováveis", declarou.
Para ele, é necessário que se juntem governo e empresariado para ampliar o intercâmbio entre a Bahia e os EUA. "O presidente Bush disse que é parceiro no processo de transformação pelo qual o Brasil está passando e, após a sua última visita ao país, ele está confiante de que aqui se pode investir", comentou.
"Temos tudo para ampliar o nosso comércio com os Estados Unidos, pois é inconcebível que navios de carga desçam até Santos ou até o Rio de Janeiro e não parem na maior baía tropical do mundo", afirmou Wagner. Segundo ele, a Baía de Todos os Santos possui uma condição excepcional para receber os cargueiros com produtos americanos e para servir de saída para produtos nacionais.
Ainda sobre logística, o governador afirmou que o Estado quer construir a Ferrovia Oeste/Leste para escoar produtos como os grãos do oeste baiano e, de acordo com ele, as empresas americanas que quiserem investir serão bem-vindas. "Já temos vários investimentos privados importantes, por exemplo, por meio de parcerias público-privadas (PPPs), como o que acontece no Baixio de Irecê, no Salitre e no Sul baiano", destacou.
Wagner lembrou que a Bahia é o estado nordestino com maior economia, população e parque industrial. "Os Estados Unidos estão presentes aqui, na figura de empresas como a Ford, que recentemente declarou que a maior produtividade da empresa em todo o mundo está na unidade de Camaçari. O mesmo acontece com os japoneses da Bridgestone e com os europeus da Nestlé, e isso nos deixa muito orgulhosos", afirmou.
Ele disse que, para atrair novos investimentos dos americanos, a Bahia está divulgando suas qualidades e mostrando o que tem a oferecer em termos de mão-de-obra e incentivos fiscais. "Mas temos que ser realistas: as negociações têm que caber no orçamento do Estado. Incentivos onde você acaba bancando o investimento precisam ser muito bem avaliados, pois é preciso uma prioridade de equilíbrio, ou quem acabará pagando por esses empreendimentos será o povo baiano", observou.
A grande presença do empresariado da Bahia tornou o encontro um evento histórico, na opinião do governador. "Na medida que o presidente Lula estreita as relações comerciais com os Estados Unidos, devemos aproveitar este momento. Somos a sexta economia do país, que, por sua vez, é a 10ª no ranking mundial", declarou.
Wagner disse que são vários os focos de interesse na relação entre o Brasil e os EUA. "Além da atração de empreendimentos, há a área de turismo, que precisa crescer muito", explicou.