Nova ameaça de maré vermelha
Manchas escuras no mar, nas proximidades da costa do município de Saubara (a 107 km de Salvador) intrigam os pescadores locais.
Desde sexta-feira passada, começaram a ser vistas. O Centro de Recursos Ambientais (CRA) fez coleta de amostras, mas ainda não divulgou o resultado dos exames.
As manchas podem indicar nova ocorrência de maré vermelha, fenômeno que segundo o CRA causou a morte de mais de 50 toneladas de peixes em cinco municípios em torno da Baía de Todos os Santos, no início do mês passado.
De acordo com o químico e fiscal do CRA, Marco Antônio Albuquerque, somente após as análises químicas e biológicas será possível afirmar se se trata de nova ocorrência de maré vermelha.
Ontem, era possível ver as manchas amarronzadas se deslocando, com a maré, para a beira da praia de Bom Jesus dos Pobres. Do alto das falésias, o capataz da colônia de pescadores, Genivaldo dos Santos, 57 anos, mostrava o foco do problema. “Quando a maré esvazia, a mancha acompanha. O que intriga a gente é que só fica por aqui”, disse, apontando a região afetada, entre Bom Jesus dos Pobres e Salinas da Margarida.
FOME – O secretário de Pesca de Saubara, João Gonzaga, disse que a situação no município está muito difícil. A mortandade e a proibição da pesca, até o dia 29 de maio, afeta pelo menos 60% da população, que está diretamente ligada à pesca.
Ontem, era aguardada mais uma remessa de cestas básicas para distribuição. A pesca está proibida na região, de acordo com instrução normativa do Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Em Saubara, o seguro-desemprego somente será pago a cerca de 600 das mais de duas mil pessoas vinculadas a organizações como a Colônia de Pescadores, ao Sindicato de Trabalhadores Rurais e à Associação de Pescadores e Marisqueiras. “Foi preciso este desastre para se reconhecer a importância do registro profissional da prática da pesca”, ressaltou o secretário.
Para receber o seguro é necessário ter a carteira da Secretaria Especial da Aqüicultura e Pesca (Seap) e que o pescador resida nos municípios de São Francisco do Conde, Saubara, Santo Amaro, Salinas da Margarida, Madre de Deus e nas ilhas de Bom Jesus dos Passos e dos Frades, de Salvador, que foram indicados na portaria do Ibama.
Segundo integrantes de colônias desses municípios ninguém ainda recebeu o seguro. A Bahia Pesca, empresa vinculadada à Secretaria Estadual da Agricultura, recolheu cerca de 20 toneladas de peixes estocadas nos locais atingidos pela mortandade de peixes. Segundo o presidente da empresa, Aderbal de Castro, a operação custou R$ 82 mil e foi uma medida de precaução para evitar riscos do consumo dos peixes e para ressarcir os comerciantes. Os peixes foram para o aterro sanitário de Simões Filho.
MAIZA DE ANDRADE