Fenômeno não mata peixes, diz especialista
Com a autoridade de quem já reproduziu a maré vermelha em laboratório, o oceanógrafo, de origem portuguesa, e professor aposentado do Instituto de Geociências da Universidade Federal da Bahia, Jorge Falcão Paredes, rejeita a tese de que tenha sido este fenômeno o causador da morte de mais de 50 toneladas de peixes na Baía de Todos os Santos no mês passado.
Para ele, não foram as algas que asfixiaram os peixes e, sim, a falta de oxigênio na água decorrente da decomposição dos esgotos lançados naquele ambiente marinho.
“Os dinoflagelados (espécie de alga citada no laudo divulgado pelo Centro de Recursos Ambientais como causadora da mortandade dos peixes ) são conseqüência e não a causa”, afirmou ele, ontem, em seu escritório, no Rio Vermelho.
Segundo Paredes, apesar de a conclusão do laudo do CRA estar correta ao afirmar que os peixes morreram asfixiados, o vetor da maré vermelha, e também da mortandade, não foi explicado.
As marés vermelhas podem ocorrer tanto nos oceanos quanto nas águas continentais (próximo à costa). No oceano, são motivadas naturalmente. Ou seja: pelas reações químicas na natureza. Têm coloração avermelhada por causa da presença de bactérias com as quais as algas interagem em relação de simbiose, uma espécie de “troca de favores”, na qual as bactérias fornecem nutrientes e as algas “pagam” com oxigênio, explicou ele. Já nas águas mais próximas à costa, o fenômeno é causado devido ao excesso de matéria orgânica proveniente da falta de saneamento básico.
POLUIÇÃO DO PARAGUAÇU – Paredes chama a atenção para a situação do Rio Paraguaçu que, de acordo com as médias anuais de descarga na baía, atinge os mais altos índices nos meses entre dezembro a fevereiro. “Nesse período, há grande acúmulo de água no reservatório (de Pedra do Cavalo) e grandes descargas, conseqüentemente.
A bacia deste rio ocupa uma área de 55.317 km², abrangendo 81 municípios, localizados principalmente no centro – leste do Estado.
De acordo com a última avaliação das qualidades das águas da bacia hidrográfica do Paraguaçu, feita pelo CRA em 2001, as fontes de poluição estão ligadas ao lançamento de efluentes domésticos in natura, disposição de lixo doméstico a céu aberto, exploração mineral, garimpos, desmatamentos e atividades agropastoris. “Estas atividades desencadeiam processos erosivos, assoreamento das calhas dos rios e lançamento de praguicidas nos solos. Outra fonte significativa é o uso indiscriminado de pesticidas e o lançamento de efluentes domésticos in natura diretamente no rio e seus afluentes.
A falta de saneamento básico nas cidades situadas próximas às margens do Rio Paraguaçu são fatores que vêm provocando impactos negativos na região. O lançamento de efluentes das indústrias de Feira de Santana e do Centro Industrial de Subaé também são fontes de poluição.