Agricultura familiar é solução para a fome

24/04/2007
Agricultura familiar é solução para a fome
 

O fortalecimento da agricultura familiar foi apontado como uma das principais alternativas para garantir a alimentação da população baiana de baixa renda. A aposta do governo estadual foi anunciada ontem, durante a III Conferência Estadual de Segurança Alimentar, realizada no Centro de Convenções da Bahia. A abertura do evento contou com a participação do governador Jaques Wagner, do ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, e de Chico Menezes, presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea).

A situação no estado é preocupante. De acordo com os dados divulgados em 2006 pelo Instituto Brasileiro Geografia e Estatística (IBGE), através de uma pesquisa nos domícilios, cerca de 50% das famílias baianas sofrem com a insegurança alimentar. Isto quer dizer que nestes lares não há a garantia de alimentos na quantidade e qualidade suficientes para garantir a nutrição ideal dos indivíduos.

Diante de uma platéia de aproximadamente 700 delegados vindos de todas as regiões do estado, o ministro mostrou como a falta de nutrição provoca anemias e até dificuldades no desenvolvimento intelectual. “Na educação, por exemplo, sofremos com isto, porque não adianta tentar ensinar uma criança com fome. O rendimento quase sempre é pífio”, afirmou Ananias, que apresentou projetos de reforço alimentar nas escolas como uma das medidas do governo feceral para minimizar o problema. Na Bahia, as causas levantadas durante encontros regionais realizados pelo Conselho Estadual de Segurança Alimentar (Consea) vão desde a falta da distribuição de água em algumas regiões à ausência de demarcação de terras. Uma questão antiga para os indíos pataxós, pataxós hã-hã-hãe, tupinambás, tumbalalás e aticuns, representados na conferência por um grupo de aproximadamente 20 indígenas. “A terra para a gente é muito pouca, não é o suficiente para produzirmos nosso próprio alimento”, afirmou Sival Tupinambá.

As diretrizes defendidas pelo Consea para o fortalecimento da agricultura familiar provêm a compra da produção através de mercados e instituições, como creches e escolas, e incentivo ao plantio de mercadorias que possam ser comercializadas através da Cesta do Povo. “Com a certeza de uma saída para os alimentos, vamos criar condições para a população rural garantir o próprio abastecimento e fazer crescer a economia local”, afirmou Carlos Eduardo de Souza Leite, presidente Consea-Ba. Outra medida é resgatar as feiras locais e regionais e descentralizar o acesso à água.

A conferência hoje vai ter dois painéis onde as propostas para a construção de uma política alimentar para o estado vão continuar sendo debatidas. Amanhã, antes do encerramento, serão escolhidos os representantes do poder público e da sociedade civil, os delegados que vão participar da III Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, que será realizada nos dias 3 a 6 de junho, em Fortaleza, Ceará.

JONY TORRES