Segurança alimentar na Bahia é tema de debates

24/04/2007

Segurança alimentar na
Bahia é tema de debates

Conferência estadual sobre o assunto discute as diretrizes que serão apresentadas no Congresso Nacional, em Fortaleza

 

A Bahia é o oitavo estado no ranking nacional de risco na segurança alimentar e nutricional, com 50,2% da sua população se alimentando de forma inadequada, segundo a Pesquisa por Amostragem de Domicílio (PNAD/2006). Para melhorar essa condição e discutir as diretrizes que serão apresentadas para o estado no III Congresso Nacional de Segurança Alimentar, previsto para julho, em Fortaleza (CE), está sendo realizada até amanhã, no Centro de Convenções, a III Conferência Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional da Bahia.

O evento reúne cerca de 700 pessoas, entre representantes da sociedade civil e dos governos municipal, estadual e federal. A abertura da conferência contou com a presença do governador Jaques Wagner, do ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, e do presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea), Chico Menezes.O semi-árido é a região baiana onde o problema da fome é mais grave. "Via Secretaria de Integração Nacional, estamos lançando o Prodecar, um programa que vai reunir os 36 municípios de mais baixo IDH do nosso estado em uma ação combinada de várias secretarias para melhorar a qualidade de vida dessas populações", afirmou Wagner.O Estado pretende ampliar programas como o de aquisição de alimentos, em especial o relativo ao leite.

 

O governador avaliou que a Bahia está aquém do que outros estados menores conseguem com esse tipo de programa e que isso é fruto da política adotada pela administração anterior, que não utilizava a cota oferecida pelo governo federal. "Aqui, estamos vendo as três esferas de governo, federal, estadual e municipal, se reunindo para fazermos um Brasil seguro no ponto de vista alimentar e nutricional", enfatizou.

Investimentos. Para a Bahia, em 2006, o governo federal investiu mais de R$ 168 milhões em programas de distribuição de cestas básicas, de fortalecimento da agricultura familiar e na construção de cisternas, beneficiando cerca de 850 mil pessoas. Patrus Ananias disse que, para o semi-árido, o governo federal está desenvolvendo projetos e pesquisas, além de uma avaliação mais constante das ações implementadas."Temos alguns programas específicos para o Nordeste, como a construção de cisternas de superfície, a aquisição de alimentos, em especial o leite, além de outros trabalhos de parceria tanto na área de assistência e desenvolvimento social, como na área de transferência de renda, entre outras", explicou.

Vinculação das políticas sociais

O ministro afirmou que o governo federal está trabalhando para vincular as políticas sociais e, nesse sentido, relacionar o direito humano à alimentação com a saúde. "Nessa linha, estamos consolidando o Sistema de Segurança Alimentar e Nutricional no Brasil, como fizemos com os sistemas únicos de saúde e de assistência social", disse.

Para ele, a partir da aprovação da Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (Losan), está sendo criada uma linha integrada de políticas públicas, envolvendo a União, os estados e os municípios, com a participação da sociedade civil.

Ananias avaliou que o governo federal está vencendo a luta contra a fome na Bahia e no Brasil. "Temos pesquisas que mostram a redução desse quadro em função de vários programas, como o Bolsa Família, que garante pelo menos três refeições diárias para 94% das crianças que estão inscritas e para mais de 80% das pessoas adultas vinculadas ao programa", observou.

O ministro lembrou também que, vinculado ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), existe o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) da agricultura familiar, garantindo emprego e renda no campo.