EUA fazem novas exigências para a importação do mamão brasileiro

25/04/2007

EUA fazem novas exigências para a importação do mamão brasileiro

Por cada lote, produtor deve informar nome do pomar, tipo, quantidade e data do acondicionamento

As novas exigências para a comercialização do mamão papaia para o mercado norte-americano foram discutidas na semana passada em reunião no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em Brasília. Estiveram presentes representantes da Secretaria de Defesa Agropecuária do Mapa, da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), das agências de defesa agropecuária dos estados do Espírito Santo e Rio Grande do Norte, além da Associação Brasileira de Exportadores de Mamão (Brapex).

Os estados autorizados a exportar mamão para os Estados Unidos – Bahia, Espírito Santo e Rio Grande do Norte –, bem como os interessados em ingressar no sistema de exportação, devem seguir alguns critérios estabelecidos pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Monitorar as moscas-das-frutas, principal praga da fruticultura mundial, por meio do uso de armadilhas e feromônios para a captura desses insetos, além do controle de qualidade nas casas de embalagens, é uma das exigências do USDA.

Quanto às novas exigências do mercado norte-americano, podem ser destacadas a necessidade de informar, para cada lote exportado, o nome do pomar ou unidade produtiva, o nome do município e da unidade da federação, o tipo, a quantidade e data do acondicionamento, além das exigências para o uso de telas e lacres, acompanhados do certificado fitossanitário e declaração adicional emitidos pelo órgão de defesa sanitária vegetal.

Na ocasião, esteve em pauta ainda a Portaria 348, de 27 de dezembro de 2006, que estabelece o projeto de instrução normativa de procedimentos para a caracterização, implantação, reconhecimento e manutenção do sistema integrado de medidas fitossanitárias para manejo de risco das pragas de moscas-das-frutas em frutos frescos de mamão.

Um outro ponto abordado diz respeito à penalidade aplicada para aqueles que não se enquadrarem às exigências do país importador, com previsão de suspensão de até um ano das atividades de exportação.

Perspectiva de novos mercados

Segundo o diretor de Defesa Sanitária Vegetal da Adab, Cássio Peixoto, a Bahia, que já exporta para a Europa, Canadá e Estados Unidos, um dos mais exigentes do ponto de vista fitossanitário, tem perspectiva de abertura de novos mercados, como o asiático.

"Em suporte a esse projeto, a Adab desenvolve ainda atividades importantes, como o controle de viroses do mamoeiro, tendo inspecionado mais de 12,9 mil hectares e erradicado mais de mil hectares com ocorrência dessas pragas", afirmou Peixoto.

Na Bahia, a área autorizada a exportar mamão está compreendida no extremo sul do estado, entre o Rio Jequitinhonha e a fronteira com o estado do Espírito Santo.

Ainda segundo Peixoto, estão sendo incorporadas ao Programa de Exportação de Mamão, em parceria com o governo federal, a análise de resíduos de agrotóxicos em mamão, via laboratório de toxicologia da Ceplac, e a produção integrada de mamão junto à Embrapa Mandioca e Fruticultura.

Esse trabalho, explicou, é muito importante para assegurar a competitividade do agronegócio mamão, pois a Bahia responde por mais de 55% da produção nacional, com mais de 700 mil toneladas, e o extremo sul por 78% da produção baiana, região prioritária para a política de desenvolvimento da Secretaria da Agricultura.