Novas commodities exigem mais investimento, afirma Embrapa
Variedades mais nutritivas e resistentes dependem de verbas, diz Crestana
A Embrapa poderá colocar no mercado novas commodities resistentes a mudanças climáticas e com maior valor nutricional em até cinco anos, mas, para isso, terá que manter o atual nível de captação de recursos, afirmou ontem o presidente da instituição do governo, Silvio Crestana.
Segundo ele, o orçamento da Embrapa para desenvolvimento de pesquisas aumentou de R$ 30 milhões em 2006 para R$ 50 milhões neste ano, mas deve chegar a R$ 100 milhões contando os recursos que são captados com vários ministérios do governo.
Segundo Crestana, dois dos principais projetos são os que pesquisam o cultivo do milho em solos arenosos. O objetivo é reduzir a diferença entre a produção brasileira de milho e a dos Estados Unidos, que são os maiores plantadores do cereal no mundo.
Além disso, há projetos para recuperação de área de pastagem para produção de energia e desenvolvimento de sementes de soja com maior valor nutricional e mais resistentes à estiagem, para reduzir a vulnerabilidade da agricultura brasileiras às mudanças climáticas e evitar a perda de renda no campo, conforme ocorreu nos últimos anos por causa da seca no sul do país.
Ontem, a Embrapa divulgou o balanço das atividades de 2006. De acordo com Crestana, no ano passado foram desenvolvidos 14 produtos, como tomates que preservam a conservação solo, farinha mista a base de café e arroz, com tecnologia que não produz resíduos, entre outras, que geraram impacto econômico de R$ 14 bilhões na agroindústria brasileira.
"Esse é o valor do impacto econômico, mas há também o ganho social, que é a criação de 150 mil empregos, e ambiental, já que as novas tecnologias evitam perdas e conservam o meio ambiente", disse.
Segundo ele, embora os agricultores já tenham conseguido ganhos ao introduzir as novas tecnologias à produção, ainda não é possível prever quando os produtos que foram desenvolvidos no ano passado estarão disponíveis para comercialização nos mercados interno e externo. "Ainda é difícil prever o impacto comercial dos produtos, mas há também um componente medicinal e nutricional", disse.