Aliança inédita busca conter avanço agrícola na caatinga

26/04/2007

Aliança inédita busca conter avanço agrícola na caatinga


Preocupados com o avanço do agronegócio sobre a caatinga brasileira, ambientalistas e proprietários de reservas particulares oficializam hoje, em Brasília, uma aliança inédita para impulsionar a criação de áreas protegidas junto ao setor privado. O compromisso já tem meta e prazo: duplicar as atuais 35 reservas particulares existentes no bioma no prazo de três anos. 


A preservação da caatinga é considerada um dos grandes desafios ao país, já que é dessa vasta região - que se estende do centro-oeste ao nordeste e norte de Minas Gerais - que estão localizadas praticamente todas as grandes bacias hidrográficas da América do Sul. Estima-se que cerca de 600 mil hectares são destruídos por ano no bioma, o que tem impacto direto no abastecimento de água da região. 


A Aliança da Caatinga, que será anunciada hoje, quando se encerra a "Semana da Caatinga" patrocinada pelo Ministério do Meio Ambiente, voltará a carga às áreas mais ameaças e onde a biodiversidade é mais rica. Duas atividades requerem especial atenção: o novo mercado de mamona e pinhão manso para a produção de biodiesel, que abre uma nova fronteira no semi-árido, e a fruticultura irrigada da região de Petrolina e Juazeiro, pólo produtor de frutas do Nordeste. 


"A gente quer que o sertanejo tenha opções econômicas, mas com sustentabilidade", diz Rodrigo Castro, secretário-executivo da Associação Caatinga, do Ceará, uma das oito entidades que participam da aliança. "A água é a base de toda a agricultura, então temos de preservá-la". Segundo ele, há hoje mais de 120 focos ameaçados no país. O bioma, de aproximadamente 95,5 milhões de hectares, tem menos de 5% de sua área protegida. 


O trabalho da nova aliança é de convencimento e ação. A idéia é levantar em três anos pelo menos R$ 3 milhões com instituições do governo e empresas para a criação e manutenção de reservas particulares (as chamadas RPPNs, Reserva Particular Patrimônio Natural). "Existem só 35 RPPNs na Caatinga, somando 110 mil hectares. É muito pouco", diz Henrique Garcia, coordenador de conservação em terras privadas da ONG The Nature Conservancy (TNC). Para ganhar adesão, Garcia conta com a ajuda da própria legislação federal, segundo a qual proprietários que tiverem uma RPPN ganham isenção do Imposto Territorial Rural (ITR) e maior acesso a crédito. 

BETTINA BARROS