Brasil, o 'preferido' dos veterinários europeus
O Brasil será o exportador agrícola mais investigado em todo o mundo por autoridades veterinárias da União Européia em 2007. Bruxelas prepara o envio de mais duas missões ao país no próximo mês, elevando para seis as investigações este ano, ante quatro para os EUA. Isso reflete, de um lado, o alto volume de exportações agropecuárias brasileiras para a UE, mas também sinaliza que esse tipo de investigação será cada vez mais comum devido à pressão de produtores do bloco incomodados com a competitividade brasileira.
Quatro missões européias já estiveram no Brasil este ano, para investigar resíduos em produtos animais, o sistema de exportação de frango, o funcionamento do controle de transgênicos e as exportações de carne bovina. Como o Valor informou no fim de março, houve indicações desta última missão que o mercado da UE para a carne bovina brasileira, que chega a US$ 1 bilhão, deve ser mantido, mas está descartada a habilitação imediata de novas áreas exportadoras em Estados atualmente embargados por conta do surgimento da febre aftosa no Mato Grosso do Sul e no Paraná, no fim de 2005. Bruxelas continua insatisfeita com as falhas apresentadas pelo sistema de rastreabilidade de bovinos (Sisbov) brasileiro.
A pressão continua grande porque, apesar da tarifa de 170%, a carne brasileira consegue entrar no bloco mais barata que a européia. Sem poder atacar pelo lado tarifário, os produtores do Reino Unido, desde que voltaram ao mercado depois da doença da "vaca louca", deflagraram uma dura campanha procurando desqualificar a carne brasileira pelo lado sanitário. Um artigo do deputado Jonathan Evans, publicado na última terça-feira num jornal do Pais de Gales, seu país, pede a proibição pura e simples da carne brasileira. A Comissão Européia tem de mostrar que exige dos exportadores o que demanda de seus próprios países-membros. E a mensagem é clara: o Brasil precisa cumprir o que prometeu e garantir a segurança de seu produto. "A comissão ainda está avaliando os relatórios das missões, que não estão finalizados", declarou o porta-voz da área de segurança alimentar da UE, Philip Tod. "Temos repetido que a UE tomará as medidas necessárias para assegurar que a carne importada do Brasil cumpra as exigências da legislação européia".
Uma das missões que já esteve no Brasil pode liberar as exportações de mel. Em maio, outro grupo investigará o pescado exportado para a Europa. Trata-se de um comércio de US$ 100 milhões, quase tudo envolvendo camarão. A segunda missão examinará como o Brasil cumpre o que promete para combater contaminantes em exportação de produtos como café, castanha de caju, amendoim. (AM)