Frigoríficos ficam 50% mais caros
Abertura de capital, exportações em alta e investimentos em plantas provocam boom no setor. Os ativos das indústrias frigoríficas brasileiras valorizaram-se mais de 50% no período de 12 meses. Uma unidade com capacidade de abate de 1,2 mil a 1,5 mil cabeças por dia, com habilitação para exportação, no Centro-Oeste, valia entre R$ 80 a R$ 100 milhões, em 2006. Hoje, não é negociada por menos de R$ 150 milhões. A abertura de capital das empresas - iniciada pelo Friboi e que deve ser seguida pelos demais -, as perspectivas de aumento das exportações em pelo menos 10% e os investimentos das empresas estão inflacionando o mercado.
"O valor das instalações têm muito a ver com a rentabilidade do mercado", diz Raul Beer, sócio-responsável pela Área de Fusões e Aquisições da PricewaterhouseCoopers. Segundo ele, a tendência é haver consolidação deste mercado e os frigoríficos brasileiros devem continuar investindo tanto dentro quanto fora do Brasil. No ano passado, os frigoríficos investiram em sua internacionalização. O Marfrig adquiriu quatro unidades na América Latina e o Bertin, duas na mesma região.
Estimativas conservadoras são de que as indústrias do setor possam aplicar R$ 1,5 bilhão na expansão ou em aquisições de unidades ou empresas neste ano - a maior parte viria do Friboi, que está com capital na bolsa. "A captação dos recursos do Friboi é mais barata. Os investimentos dos demais dependem da taxa de endividamento e da obtenção de crédito a juros baixos", avalia José Vicente Ferraz, diretor da AgraFNP. Segundo ele, este é o grande momento de expansão e de rentabilidade dos frigoríficos. Historicamente, a rentabilidade do setor é de 3%. No ano passado, de acordo com a consultoria, chegou a 15%. "Porque matéria-prima estava barata e as indústrias estavam exportando e vendendo bem", afirma Ferraz.
Para o secretário-executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Antônio Camardelli, as perspectivas de aumento do mercado externo - hoje o Brasil está fora de 60%, mesmo sendo o maior exportador mundial - dá segurança para os investimentos, inclusive de empresas de aves e suínos na construção de unidades de bovinos, aproveitando os canais de distribuição. "Os investimentos vão depender das oportunidades", afirma.
Na avaliação de Fabiano Tito Rosa, da Scot Consultoria, o mercado está fortemente aquecido por causa das exportações - que em 2006 somaram US$ 4 bilhões. O diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Carnes do Rio grande do Sul (Sicadergs), Zilmar Moussalle, lembra que muitas empresas estão investindo na ampliação para estarem adequadas às exigências internacionais.
Segundo Paulo Molinari, da Safras & Mercado, existem poucas plantas disponíveis com capacidade de abate acima de mil animais por dia, habilitadas à exportação, que possam ser negociadas. Por isso, diz ele, há uma programação de investimentos para a construção ou ampliação de unidades. De acordo com o analista, o Centro-Oeste e o Pará são as regiões que devem absorver a maior parte dos recursos.
NEILA BALDI