Cresce a fatia brasileira no mercado do Uruguai

27/04/2007

Cresce a fatia brasileira no mercado do Uruguai


 

O Brasil já responde por 27% de participação nos frigoríficos do Uruguai considerando a origem do capital. Com o recente avanço de empresas como Marfrig e Bertin naquele país, o país só perde para o próprio Uruguai, com uma fatia de 49%. A Argentina vem a seguir, com 16%, enquanto os EUA têm 6%, de acordo com o presidente do Instituto Nacional de Carnes (Inac), Luís Alfredo Fratti. 


Fratti, que participou do Congresso Internacional da Carne, disse que o aumento dos investimentos de frigoríficos brasileiros faz parte de um processo natural dentro do Mercosul. Ele avalia que os aportes brasileiros devem crescer. "É um movimento positivo porque também estimula os investimentos dos frigoríficos nacionais." 


O Uruguai tem hoje uma fatia de 6% das exportações mundiais de carne, com 450 mil toneladas em 2006. "Somos mais um país complementar que um competidor", disse Fratti. O país vizinho tem atraído o interesse dos frigoríficos brasileiros principalmente porque tem autorização para exportar para os EUA e países do Oriente. Dentre 40 plantas de abate de gado bovino, 24 são habilitadas para exportar a mercados "mais exigentes". 


No país, onde o consumo per capita de carne está na faixa dos 50 quilos, um dos maiores do mundo, a perspectiva é de um crescimento moderado da produção no médio prazo. "O consumo deve se recuperar após a crise de 2002", afirmou Fratti. Com isso, a previsão é de que as vendas externas fiquem entre 600 mil e 650 mil toneladas. 


Já na Argentina, as exportações vêm recuando por conta das restrições impostas pelo governo Kirchner para garantir a demanda doméstica e segurar a inflação. Em 2006, elas somaram 570 mil toneladas e neste ano devem ficar em 500 mil, já que os embarques mensais estão limitados a 40 mil toneladas, segundo Marcelo Fielder, presidente da Sociedade Rural Argentina. 


Segundo Fielder, após a crise de 2002 e 2003, o consumo na Argentina voltou a subir e ficou em 63 quilos no ano passado, o maior do mundo. "Em virtude do grande consumo doméstico, o governo decidiu restringir as exportações". Outro fator que segura o crescimento das exportações argentinas é que a própria produção se estabilizou em 3,1 milhões de toneladas de carne bovina por conta da perda de área da pecuária para a soja (de cerca de 8 milhões de hectares) nos últimos anos. Com o alto consumo interno (80% do total), o excedente exportável é de 500 mil a 600 mil toneladas. E esse quadro deve se manter nos próximos dois a três anos, já que houve grande abate de matrizes. (AAR)