Nós temos cachaça

27/04/2007
Nós temos cachaça
 
Bahia se firma no segundo lugar como produtor da bebida e implementa plano de desenvolvimento
 

A Bahia ocupa o segundo lugar no ranking dos estados produtores de cachaça de alambique, perdendo apenas para Minas Gerais. Com o objetivo de incrementar ainda mais a produção, estimada em 50 milhões de litros por ano, foi lançado em março o Plano de Ações dos Derivados da Cana-de-Açúcar, com um orçamento de R$6 milhões para o biênio 2007/2008. Dos cerca de sete mil estabelecimentos produtivos, que empregam diretamente 35 mil pessoas, 99% estão na informalidade. “Nossa meta é trazer esses pequenos produtores para a formalidade, via associativismo, pois esta é a única forma viável de dar confiança ao mercado consumidor”, explicou o coordenador do Plano na Secretaria da Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), Carlos Rafael Cointeiro, frisando que novas marcas deverão em breve receber o selo Cachaça da Bahia, com certificação do Inmetro.

Algumas marcas made in Bahia já são exportadas, como a Abaíra, a Portal da Chapada e a Serra das Almas, mas as remessas ainda não são contínuas nem em volumes expressivos. “Por enquanto são apenas exportações pontuais”, admite Cointeiro, observando que um dos pilares do plano de ação é quebrar o preconceito que ainda existe contra a cachaça e mostrar que ela também é consumida pela elite. Das poucas marcas formais produzidas no estado, algumas se destacam pela inovação: a Engenho Bahia é a única envelhecida em quatro tipos de madeira; a Ribeirão, do município de Amargosa, é envelhecida em vinhático; a Serra das Almas, produzida na Chapada Diamantina, foi a primeira cachaça orgânica do estado; a Morro de São Paulo conquistou prêmios importantes pela embalagem. As marcas mais conhecidas, tipo exportação. chegam a custar mais de R$50 nos pontos turísticos, aeroportos e delicatessens.

O plano de ações foi elaborado pela Associação Baiana dos Produtores de cachaça de Qualidade (ABCQ), em parceria com o governo estadual, Sebrae, Fundação FTC e Federação das Indústrias (Fieb). Entre as preocupações dos órgãos e entidades envolvidos no projeto está a capacitação dos pequenos produtores, através das associações e cooperativas, para a fase pós-formalização, sobretudo para a comercialização sem a necessidade de atravessadores.

Os cachaceiros  (o personagem João Canabrava, do humorista Tom Cavalcante, está certo quando diz que cachaceiro é quem produz a bebida, quem aprecia é cachacista ou simplesmente consumidor) contarão com toda orientação para criar, de forma desburocratizada, as cooperativas de produção. Para facilitar o processo de produção e comercialização, foi prevista a implantação, até o final de 2008, de unidades de produção comunitária em Barra, São Desidério, Caetité, Itanhém e Eunápolis. As primeiras já começarão a ser construídas este ano. Outra meta do plano de ação, frisa Carlos Rafael Cointeiro, é melhorar a produtividade dos canaviais com a introdução de variedades que podem render até quatro vezes mais que as nativas.

O setor de máquinas e equipamentos não foi esquecido no projeto, que aponta a necessidade de incentivar o desenvolvimento de pesquisas com o objetivo de melhorar a qualidade da produção local. “A maioria das máquinas e equipamentos utilizados vem de outros estados, o que encarece a produção”, justifica o diretor da Secti. Para divulgar as marcas com o selo Cachaça da Bahia, estão previstas participações em feiras e grandes eventos nacionais, criação da Carta e do Catálogo da Cachaça da Bahia e promoção de cursos, em parceria com o Senac, para preparação de drinques e pratos utilizando a bebida. Será criado, também, o portal Cachaça da Bahia (www.cachacadabahia.com.br).

MÔNICA BICHARA