Clima frustra safra de cacau
A falta de chuva no último trimestre de 2006 e o excesso nos primeiros meses de 2007 comprometeram a produção de cacau, que, este ano, não terá a safra temporã, de maio a setembro. A birração foi pequena, e a produção vai atrasar e se concentrar na safra principal, que vai de setembro a dezembro, segundo dados da Ceplac. Para os produtores que estão endividados, a novidade é péssima, porque sem cacau vai ser difícil, nos próximos quatro meses, saldar os custos de produção e com a folha de trabalhadores.
O chefe da divisão de planejamento e desenvolvimento institucional da Ceplac, Antônio Zugaib, reconhece que será um tempo de mais dificuldades para os produtores.
De qualquer forma ele ainda mantém a projeção de que a safra deste ano poderá chegar a 132 mil toneladas um pouco maior que em 2006, que foi de 115 toneladas.
Mas, ressalta ele, é preciso torcer por um inverno menos chuvoso, para evitar a virulência do ataque da vassoura-de-bruxa.
O produtor Fernando Botelho, que tem fazenda em Barro Preto e Ilhéus, destaca que o excesso de chuva no início do ano e as três renovações de folha dos cacaueiros (em outubro, janeiro e fevereiro), também contribuíram para o inexpressivo temporão. Ele faz previsão em suas fazendas e se mantém cauteloso quanto ao volume da safra principal. PARCERIA – O produtor é um dos muitos que, para conseguir manter suas fazendas, trabalham em parceria com os empregados, que entram com a mão-de-obra e metade das despesas com insumos.
“Isso quando os usamos, porque não temos recursos”, diz Botelho, destacando que os trabalhadores é que têm colocado dinheiro novo em suas terras, através de financiamento do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf).
Com esses recursos, eles fazem os tratos para prevenir a ação da vassourade-bruxa.
Ele mesmo não tem condições de crédito, porque está endividado com as etapas do Programa de Recuperação da Lavoura Cacaueira e discute a cobrança na Justiça. Botelho conseguiu uma liminar a uma ação individual e é signatário em uma ação civil pública. A luta é para ganhar tempo, enquanto o governo não soluciona o endividamento da lavoura.
Os 60 dias de prazo dados pelo governo para a apresentação de uma solução já passaram; a recente mudança no Ministério da Agricultura atrasou o trabalho; e o novo ministro não deu uma posição sobre o assunto. Botelho diz que a proposta do produtor é de resolver o problema do endividamento e pegar dinheiro novo, para obter os clones e recuperar a produtividade. Hoje, a região produz apenas 15 arrobas/ hectare, mas o governo cobra do produtor como se ele estivesse produzindo 100 arrobas/hectare, diz o produtor.
Os novos recursos serão também para fazer a diversificação e agroindustrialização, para agregar valor a seus produtos. Botelho já trabalha com uma pequena agroindústria de polpas de frutas tropicais, e a idéia é que a rentabilidade da agroindústria financie a diversificação. Sem citar números, ele diz que já colheu muito cacau e hoje sua produção está reduzida a 30% do que era.
Para Zugaib, só com políticas públicas de incentivo ao consumo tira-se o cacau do buraco. O chocolate é ideal na merenda escolar e na ração das corporações militares.
Em paralelo, afirma ele, o produtor tem que partir para agregar valor ao cacau, através da agroindústria cooperativada.