Inseminação artificial
Inseminação artificial transcervical, com uso de um miniaplicador e de um miniexpansor cervical, já é feita em ovinos e caprinos, no oeste do Estado, com bons resultados no processo de reprodução das fêmeas, por não ser traumática aos anéis cervicais, como ocorre com outros instrumentos cirúrgicos.
O método, que consiste em aplicar o sêmen no útero da fêmea, é menos traumático e mais barato do que uma laparoscopia – tipo de cirurgia – e apresenta taxas de prenhez em torno de 60% a 80%.
Segundo o médico veterinário, especialista em ovinos, César Mateos Nunes, no Brasil, mais de 600 pessoas já estão capacitadas para fazer a inseminação artificial em caprinos e ovinos através desta técnica não-cirúrgica transcervical com sêmen congelado.
Na região de Barreiras, disse o médico, 20 pessoas foram habilitadas por meio de um curso, durante três dias, na Fazenda Santa Bárbara.
Para ele, a facilidade no procedimento possibilita que a inseminação artificial em ovinos e caprinos possa ser realizada por qualquer pessoa que tenha um mínimo de afinidade com os animais.
A inseminação com intervenção cirúrgica, método usado anteriormente, exigia um profissional médico veterinário "agora o criador ou um técnico podem se habilitar", destaca. A diferença de custos para o produtor de carne ovina e caprina melhorar a genética do rebanho é um dos fatores principais para a expansão da técnica.
"Ele podem comprar o sêmen congelado de um reprodutor premiado por R$ 35 e fazer a inseminação.
Em sete meses, os animais estão prontos para o abate", diz Mateos Nunes, acrescentando que a média de ganho de peso diária de ovinos e caprinos é de 150 a 200 gramas, e com filhos de animais selecionados este ganho de peso pode chegar a 450 gramas por dia.
Antes dessas técnicas de inseminação artificial serem implantadas, a única alternativa para melhoria genética dos rebanhos era a aquisição de reprodutores. Isso representava altos investimentos, bem como limitava a capacidade de reprodução, pois o método usado era a monta natural.
De acordo com o produtor Paulo José Gertner, que tem 900 matrizes reprodutoras na fazenda Sertânia, município de Riachão das Neves, o custo de um reprodutor é muito caro. Para adquirir um animal selecionado, é preciso vender 40 carneiros. "Com este método de inseminação, um macho pode emprenhar de 300 a 400 ovelhas, o que torna o negócio mais viável comercialmente", disse ele.
O criador de caprinos da raça Saanen, engenheiro agrônomo Durval Nunes, também é entusiasta da causa e destaca ser fundamental que o criador adote técnicas de inseminação para a melhoria do rebanho: “A inseminação é mais higiênica, por evitar o contato direto com o macho, e isso diminui a ocorrência de doenças sexualmente transmissíveis.”