Investimento maior para safra

02/05/2007

Investimento maior para safra


O governo tem previsto em seu orçamento R$ 60 bilhões para financiar o custeio, comercialização e investimento da safra 2007/2008, mas a agropecuária brasileira vai precisar de R$ 90 bilhões, segundo avaliação feita pelo setor privado e apresentada na semana passada, na forma de sugestão, ao Ministério da Agricultura. É um aumento de 50% em relação aos valores disponibilizados na safra anterior.
Segundo alegação dos produtores, sem esse volume de recursos, dificilmente a atividade agropecuária poderá manter a trajetória de crescimento das exportações e geração de empregos no campo.
No plano, elaborado por entidades ligadas à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, eles sugerem que os recursos sejam oferecidos com flexibilidade das garantias bancárias e redução da taxa de juros dos empréstimos de 8,75% para 4,5% ao ano.
As sugestões, reunidas no documento Proposta do Setor Produtivo e Cooperativo para o Plano Agrícola e Pecuário 2007/2008, foram divulgadas no dia 25, em Brasília, pelo superintendente técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Ricardo Cotta Ferreira, depois de entregues ao ministro Reinhold Stephanes.

CONSERTO – O setor privado pede, ainda, que, para a obtenção desses recursos, o aumento de 25% para 30% das exigibilidades bancárias destinadas à aplicação, com taxa de juros prefixada, no crédito de custeio e comercialização. "Nós precisamos consertar o setor", argumenta um dos vice-presidentes da CNA, Macel Caixeta, argumentando que o cenário é de retomada, já que as duas últimas safras enfrentaram problemas climáticos e redução da rentabilidade.
O superintendente técnico da CNA, Ricardo Cotta, considera que a crise aumentou o risco do produtor junto aos bancos. Isso provocou a renegociação e prorrogação dos vencimentos das dívidas que seriam pagas. "Essa situação fez com que o produtor estourasse o seu limite de crédito junto aos bancos e também o limite de garantias bancárias", completou.
Para Ricardo Cotta, o desafio agora é atuar para resolução das dívidas a médio prazo, ampliar os limites dos financiamentos e flexibilizar as exigências de garantias bancárias. Segundo ele, o endividamento e as exigências para o uso do crédito rural oficial levaram os produtores a buscar financiamento no setor privado, o que provocou uma sobra de R$ 2 bilhões na safra passada.
"Como não se tem crédito governamental para se pedir, em função da questão de limite, o produtor está dependendo cada vez mais de empréstimos junto a empresas privadas e se endividando com os fornecedores de insumos e fertilizantes", assegura Cotta.