Preço do feijão reage com o fim da colheita

02/05/2007

Preço do feijão reage com o fim da colheita

O preço médio do feijão carioca fechou o mês de abril a R$ 73,74 a saca (de 60 quilos), segundo o levantamento da Safras & Mercado, com base em dados da Bolsinha Informativos Agrícolas. A cifra é 7,68% maior que a média de R$ 68,48 verificada no mês anterior. A "rápida’’ recuperação da cotação do grão - que acumula queda de 28% no primeiro quadrimestre do ano - é influenciada pelo fim da colheita da safra das águas 2006/07, temporada que ocorre entre outubro e março, segundo o analista da consultoria, Elcio Bento.


O cenário altista do preço do feijão é influenciado ainda, segundo diz, pelo excesso de chuva durante a colheita do grão, fator que prejudicou a qualidade do produto, cuja safra bateu um recorde de 1,465 milhão de toneladas, ultrapassando em 26,9% o volume até então inédito da safra anterior, de 1,15 milhão de toneladas. "Com a qualidade prejudicada pelo excesso de chuva, o feijão de boa qualidade ficou escasso’’, explica o analista.
O feijão carioca - produto mais consumido e produzido no Brasil, com 62% da safra recém-colhida - foi negociado a R$ 71,00 a saca em média entre janeiro e abril deste ano, valor 28% menor que os R$ 99,25 em igual período de 2006, segundo a consultoria.

Cenário altista


A Safras & Mercado prevê um cenário positivo para os preços do feijão durante o período de comercialização da safrinha deste ano, entre abril e julho, em relação ao mesmo período do ano passado. Isso decorre da perspectiva de redução de 12% na quantidade ofertada de feijão, que deve ficar em 1,3 milhão de toneladas.
Porém, se comparar com a safra das águas recém-colhida, Bento diz que não há espaço para uma recuperação mais significativa das cotações nos próximos meses, porque a colheita recorde elevou a oferta do mercado. Hoje há um excedente de cerca de 550 mil toneladas de feijão, resultado da produção de 3,6 milhões de toneladas e de um consumo de 3,05 milhões de toneladas. Entretanto, grande parte do excedente é de baixa qualidade, devido ao clima.

VIVIANE MONTEIRO