Produção de algodão passa a se concentrar no meio do ano

02/05/2007

Produção de algodão passa a se concentrar no meio do ano

Indústrias e cotonicultores vão precisar se adaptar a uma nova realidade da produção de algodão: a concentração da safra no meio do ano. Na atual temporada, apenas 6% da colheita foi efetivada para 8% no ano passado e uma média de 15% nos últimos quatro anos. A diminuição da área em São Paulo e no Paraná, cuja colheita começa mais cedo - em março - e a migração do cultivo em Goiás para áreas mais altas - onde o amadurecimento da fibra é mais tardio - devem fazer com que cada vez mais a entrada da safra seja tardia.


Há quatro safras, o Sul e o Sudeste respondiam por 24,4% da produção brasileira, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Na atual temporada, 5,3% da safra virá destas regiões. O resultado disso é que, teoricamente em "plena safra", os preços da fibra valorizaram-se. No início de abril estavam cotados a R$ 1,35 a libra-peso (posto em São Paulo). No final do mês eram avaliados em R$ 1,42 a libra-peso, na mesma praça, alta de 5,1%.


"Com o calendário concentrado, toda a cadeia produtiva vai ter de se adaptar", diz Miguel Biegai Júnior, analista da Safras & Mercado. Segundo ele, por um lado, a indústria pode ter de pagar preços mais altos no primeiro semestre por causa da oferta reduzida e, por outro, o produtor pode ter quedas bruscas nas cotações da fibra em decorrência de um volume grande disponível em um curto prazo de tempo. Por isso, em sua avaliação, a melhor alternativa ao setor têxtil será passar a ter uma programação de recebimentos, com a compra antecipada para a garantia do produto. Hoje os cotonicultores já tentam se precaver desta baixa nos preços com a venda antecipada para a exportação - cerca de 40% da safra atual já foi comercializada antes do plantio.


Biegai Júnior explica que a produção no Sul e Sudeste diminuiu em função de preço e de revezes climáticos. Com isso, a cana-de-açúcar ganhou espaço. Há quatro safras, a área cultivada com algodão em São Paulo era de 59,9 mil hectares - hoje são 27,6 mil hectares . No Paraná eram 29,3 mil hectares e atualmente são 12,9 mil hectares. O analista diz que, em virtude da oferta reduzida, a indústria está tendo de pagar o que o produtor pede ou importar. E apesar de o dólar favorecer a compra de outro país, Biegai Júnior diz que as máquinas das indústrias precisam ser calibradas para estas fibras, favorecendo a aquisição no mercado interno.

NEILA BALDI