VINHEDOS

02/05/2007

                        VINHEDOS



Produtores do Vale do São Francisco de Bahia e Pernambuco buscam o equilíbrio entre o uso de insumos químicos e a manutenção dos processos biológicos que tornam as terras férteis. Eles se baseiam em informações técnico-científicas sobre a adubação da cultura de videiras, repassadas por pesquisadores da Embrapa SemiAacute;rido.
Na avaliação de um deles, a pesquisadora Teresinha Costa Silveira de Albuquerque, tratar os plantios comerciais sob essa perspectiva é a melhor opção, em um negócio tão competitivo como é o da uva. Preocupada com a quantidade de elementos químicos no solo em conseqüência da aplicação excessiva de fertilizantes, ela defende uma relação mútua entre o vinhedo e o ambiente onde está estabelecido.
Diz a pesquisadora que análises de dados coletados no Laboratório de Solos, Água e Plantas (Lasp), da Embrapa SemiAacute;rido, mostram que fertilizantes químicos têm sido despejados no solo em volumes que não contribuem para o aumento de produtividade e a qualidade dos pomares e ainda podem ser apontados como séria causa de degradação ambiental.
“No manejo da adubação, o produtor precisa estar inteirado das quantidades de nutrientes que já estão disponíveis no solo. A aplicação dos fertilizantes deverá suprir apenas os níveis dos teores que estão em falta”, ressalta a pesquisadora da Embrapa.
Ela informa ser importante observar essas orientações e evitar “o uso de produtos em volumes que elevem, por exemplo, os teores dos macronutrientes fósforo (P), potássio (K), cálcio (Ca) e magnésio (Mg) para além dos níveis recomendados para os solos da região”.
A pesquisadora diz que, no caso do fósforo (P), um teor acima de 40 miligramas por decímetro cúbico é considerado muito alto.
“Contudo, resultados observados nas análises do Lasp revelam teores bem acima desse valor. O mesmo tem sido registrado com outros elementos da categoria de macronutrientes e que são absorvidos em grande quantidade pelas plantas, a exemplo de potássio (K), cálcio (Ca) e magnésio (Mg)”, explica Terezinha Albuquerque.
Segundo ela, em muitos parreirais da região do Submédio São Francisco, esees elementos são aplicados de maneira até exagerada e a aplicação de fertilizantes nessas quantidades é perda de dinheiro para o produtor, intoxica a planta e degrada o solo.
Terezinha Albuquerque assegura que os elementos que compõem os insumos químicos usados na adubação são sais e, “quando em excesso, dificultam o desenvolvimento de microorganismos responsáveis pela qualidade biológica do solo, degradando o ambiente do cultivo”.

TREINAMENTO – Um curso de nutrição da videira, na semana passada, no Centro de Convenções de Petrolina, com 12 palestras, abordou cerca de 40 temas ligados à plantação da uva, entre os quais conhecimentos básicos sobre ciclos de crescimento, clima, fertilidade dos solos e a absorção de micro e macronutrientes do solo por parte das plantas.