Maré Vermelha - Baía de Todos os Santos sofre poluição crônica

03/05/2007

Maré Vermelha - Baía de Todos os Santos sofre poluição crônica

“A Maré Vermelha veio para mostrar que a Baía de Todos os Santos pede socorro”. A afirmação é da bióloga e coordenadora do Projeto Mamíferos Marinhos (Mama), Maria do Socorro Reis, citando como uma das causas para a poluição crônica a questão do sistema de esgotos jogados na Baía. O fenômeno que surgiu na Baía há cerca de dois meses, além de gerar a mortandade de mais de 50 toneladas de peixes, desencadeou um processo de pobreza nos municípios afetados. Pescadores e comerciantes até hoje reclamam de prejuízos. Enquanto isso a atividade permanece paralisada até o dia 29 para a recomposição e reflorestamento da fauna marinha. As localidades de Salinas da Margarida, Saubara, Cabuçu, Bom Jesus dos Pobres e Itapume foram algumas das mais atingidas.


De acordo com a bióloga, a Baía que tem uma grande importância histórica para o estado e possui em sua área um grande fluxo turístico que vem sofrendo há muitos anos, um problema crônico de poluição. Além disso colaboraram o grande período de estiagem entre dezembro e março e o fato da área não ter muita renovação de água. As temperaturas estiveram bastante elevadas e não houve diluição da água”, explicou, ressaltando a questão do sistema de esgoto que desemboca na Baía, como um dos pontos que ajudam na poluição.


Fenômenos como aquecimento global e o El Ninõ também podem ter ajudado na proliferação das algas que desencadeia a maré vermelha. A maré vermelha, como ficou explicado no laudo do CRA, é gerado pelas condições climáticas estáveis e pelo aumento de nutrientes na água. Socorro, que além de bióloga é mestre em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente, sugere a formação de grupos de trabalho e comissões para apurar a situação e todas as atividades realizadas na Baía de Todos os Santos, como a passagem constante de navios e os projetos da Petrobras, como o Manati que tem tubulações em alguns pontos da Baía.


No entanto, Socorro não acredita na versão relatada pela ambientalista Telma Lobão, de que o vazamento de um gasoduto do projeto Manati teria sido a grande causa da mortandade dos peixes. Segundo ela, a Petrobras seria incompetente em permitir que algo grave como um derramamento de gás acontecesse. “Eles costumam fazer monitoramento diário e saberiam o que fazer para reverter o quadro diante de uma situação como essa”, enfatiza. A bióloga destaca que participou das reuniões feitas pelo CRA e que o laudo técnico apresentado tem credibilidade. “A maré vermelha aconteceu em Porto Seguro em 2004 onde houve a morte de peixes e muitas pessoas passaram mal”, cita o fenômeno gerado pelas algas que em altas densidades produzem grande quantidade de matéria orgânica, causando a obstrução das brânquias dos peixes e levando-os à morte por asfixia.

Já a nova maré vermelha identificada pelo CRA é provocada por algas que pertencem ao gênero Gyrodinium e que não traz danos a vida dos peixes. O órgão já anunciou a liberação do consumo, porém pescadores continuam reclamando das baixas vendas de peixes em todo o litoral baiano.

LILIAN MACHADO