Produtor de mamão de olho nos EUA

04/05/2007

Produtor de mamão de olho nos EUA

Os produtores de mamão-papaia do extremo sul do Estado, há cerca de um ano, estão exportando o fruto para o mercado norte-americano, após finalmente conseguir cumprir todas as exigências do importador, principalmente no que se refere ao controle da moscada-fruta. Agora, o objetivo é qualificar cada vez mais o mercado de produção de mamão. Com essa finalidade, ontem, os produtores da região participaram de encontro no município de Itabela.

Durante o evento, promovido pela Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), foi lançado um programa do governo federal de incentivo à produção de mamão.

De acordo com Selma Ramos, extensionista do Programa de Apoio Tecnológico à Exportação (Progex), da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), o governo federal investirá R$ 48 mil na melhora da qualidade dos produtos brasileiros, buscando fortalecer a competitividade no exterior. O programa é direcionado para associação de pequenos produtores e cooperativas.

No extremo sul, está a maior produção de mamão do Estado, que é responsável pelo abastecimento de 70% do mercado interno, cerca de 400 toneladas/semana de mamão, e 20% dos 2% do mercado externo, 50 toneladas do fruto (35 para a União Européia e 15t para os Estados Unidos). Os produtores do Espírito Santo ainda são os maiores exportadores do País, sendo responsáveis por cerca de 70% das vendas para o mercado exterior, segundo dados da Adab.

Segundo Paulo Roberto Oliveira de Andrade, gerente-técnico da Adab, a exportação de mamão ainda representa pouco em termos de faturamento para o Estado, principalmente devido à baixa do dólar. “A margem de lucro ainda é baixa. No momento, estamos mais mantendo o mercado”, disse.

Cento e sessenta produtores da região são responsáveis por uma produção de 12.400 hectares de mamão. Apenas a empresa Bello Fruit, no município de Mucuri, a 906 quilômetros de Salvador, possui o selo de Produção Integrada de Frutas (PIF), exigido pelo mercado nor te-amer icano.

Para exportar para os Estados, os produtores de mamão do extremo sul foram obrigados a se adaptar a um sistema desenvolvido pela Adab, denominado approach , que diminui o risco de contaminação por mosca-da-fruta. O sistema prevê o acompanhamento desde a frutificação até o destino final, controlando o manejo da cultura e as pragas e doenças.

Esta semana, o departamento de agricultura norte-americano fez novas exigências para a importação de mamão, mas, segundo Paulo Roberto Oliveira de Andrade, gerente-técnico da Adab, os produtores do extremo sul que possuem a certificação da Produção Integrada de Fruteiras (PIF) e o Eurep Gap já estão adequados a essas novas exigências, que prevêem principalmente a redução de resíduos de agrotóxicos, questões ambientais, questões trabalhistas e a não-existência de trabalho infantil nas lavouras de mamão.

MARIA EDUARDA TORALLES