Ração para tornar gado "ecológico"
Entre 2000 e 2001, quando a Europa enfrentou uma crise sanitária após o surgimento de casos de "vaca louca", pecuaristas brasileiros lançaram uma campanha valorizando a criação do gado a pasto. O conceito de "boi verde" ajudou o país a triplicar as exportações de carne bovina desde 2000, para 2,4 milhões de toneladas equivalente-carcaça no ano passado.
As preocupações sobre o aquecimento global e a emissão de gases de efeito estufa levaram as indústrias de rações a buscar alternativas para que os pecuaristas criem o gado de forma mais "ecológica". Segundo dados da FAO, braço da ONU para alimentação e agricultura, 29% do metano emitido na atmosfera vem dos rebanhos. Bovinos e suínos também respondem por 49% das emissões de amônia e 33% do óxido nitroso.
A pedido do Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações), pesquisadores da Embrapa Suínos e Aves, da USP e da Universidade Federal de Viçosa fizeram um estudo que comprovou que a substituição parcial de proteínas (como farelo de soja) por suplementos, como aminoácidos, enzimas e vitaminas, pode reduzir em até 30% a emissão de microminerais, fósforo e nitrogênio no meio ambiente. "O uso mais equilibrado de proteínas também reduz o consumo de água pelos animais entre 5% e 15%", observa Daniel Bercovici, diretor do Sindirações e da Ajinomoto Biolatina.
Para estimular o consumo de suplementos e levar o gado a emitir menos gases nocivos ao ambiente, a Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (Asbram) e a Associação Nacional das Indústrias de Fosfato na Alimentação Animal (Andifós) lançaram uma campanha de divulgação e um guia para auxiliar os pecuaristas na formulação das rações. Sérgio Morgulis, presidente da Asbram, prevê que a campanha estimulará uma expansão de 11% nas vendas de suplementos neste ano, para 2 milhões de toneladas.
A Cargill Nutrição Animal - dona da marca Purina - também lançou campanha para estimular pecuaristas a elevar o uso de suplementos e rastrear o gado. "Os pecuaristas estão mais preocupados com os efeitos ecológicos da produção", diz Emerson Botelho, gerente de produtos para ruminantes. A expectativa da Cargill é elevar as vendas de aditivos em até 50% no país com a campanha.
CIBELLE BOUÇAS