Disputa política atrasa nomeações na Agricultura

07/05/2007

Disputa política atrasa nomeações na Agricultura


Exatos quarenta dias após assumir o comando do Ministério da Agricultura, o ministro Reinhold Stephanes ainda não conseguiu montar toda sua equipe de trabalho. Indicado pelo PMDB para comandar a Secretaria-Executiva da pasta, o ex-deputado mineiro Silas Brasileiro aguarda a publicação de sua nomeação há pelo menos três semanas. Desde o dia 27 de março, apenas um novo secretário foi nomeado por Stephanes: o veterinário paranaense Inácio Kroetz ocupa a Secretaria de Defesa Agropecuária. À exceção da Diretoria do Café, nenhuma outra função de escalões inferiores foi confirmada. E a intenção do ministro de manter alguns atuais ocupantes nos cargo, como o secretário de Política Agrícola, Edílson Guimarães, é bombardeada nos bastidores. 


Para além das especulações geradas pela situação, a indefinição tem afetado o gerenciamento cotidiano do ministério. Na sexta-feira, Stephanes ouviu reclamações de produtores durante a ExpoZebu, em Uberaba (MG). O ministro foi cobrado pela recomposição do orçamento do ministério e a falta de ação no combate à aftosa. A Agricultura sofre com o corte de 44,5% de seu orçamento - dos R$ 1,47 bilhão destinados à pasta, sobraram R$ 816,7 milhões. Em resposta, Stephanes afirmou, segundo relatos, que sabia da situação. "Fiquem tranqüilos. Sei o que acontece e está tudo encaminhado", disse. Na sexta-feira, a reportagem tentou contato com o ministro, mas ele estava em viagem. 


Boa parte da demora nas nomeações é atribuída às disputas internas do seu partido, o PMDB, que indicou o ministro e agora tem dificuldades para negociar os cargos de segundo e terceiro escalões com o governo. "Não dá para mexer na Agricultura sem mexer em outros lugares", diz o deputado Waldemir Moka (PMDB-MS), um dos principais interlocutores do setor rural. O presidente da Comissão de Agricultura da Câmara, Marcos Montes (DEM-MG), diz que a bancada ruralista está inquieta. "A demora trava uma situação que já estava travada", afirma. "Precisamos de um ministério forte politicamente e com apoio partidário para agir". 


As lideranças sentem a pressão das bases e também estão preocupadas. "O ministro vai ter que buscar respaldo", diz o presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Marcio Freitas. Na cafeicultura, por exemplo, a reação é contra tentativas de emplacar nomes "estranhos" ao segmento. "É preocupante demorar tanto assim. E esperamos que o secretário seja vinculado ao setor e tenha intimidade com a atividade", cobra o presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), Maurício Miarelli. Uma ala do PMDB indicou dois nomes que desagradaram: o ex-superintendente da Agricultura em São Paulo, Francisco Jardim, e o ex-secretário de Defesa Agropecuária, o veterinário Luiz Carlos Oliveira. 


Na Conab, a disputa segue renhida. Deputados do Núcleo Agrário do PT tentam manter a diretoria ou emplacar o ex-ministro Luís Carlos Guedes. Para isso, até o ex-ministro José Graziano entrou em campo. Há duas semanas, no Chile, fez lobby pelo amigo, que já ocupou o posto, com o presidente Lula. O PMDB quer garantir o cargo para o ex-presidente da Cia. Docas de São Paulo, Wagner Rossi, ligado ao presidente do partido Michel Temer (SP). Há ainda o ex-senador Maguito Vilela (PMDB-GO) na fila. 

MAURO ZANATTA