Prejuízo da maré vermelha ainda não foi estudado
O impacto da mortandade de mais de 50 toneladas de peixes na Baía de Todos os Santos ainda não foi dimensionado. O Centro de Recursos Ambientais (CRA), que apontou como causa do desastre a maré vermelha – fenômeno no qual há uma proliferação de microalgas – ainda não fez nenhum estudo neste sentido.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) também não se manifestou sobre o tema, apesar de já ter anunciado pelo seu superintendente, Célio Costa Pinto, a retomada da estatística da pesca na região.
Para o professor do Laboratório de Ictiologia da Universidade Estadual de Feira de Santana e especialista no estudo de peixes, Alexandre Clistenes, a pesca não deveria ser liberada sem antes ser feita a avaliação do estoque pesqueiro da área afetada.
“Sem dúvida, houve um grande impacto e a sua proporção só será conhecida a partir do monitoramento da recuperação natural”, observa ele.
Alexandre, que tem estudos sobre a composição da ictiofauna de Cabuçu, em Saubara, destaca que a Baía de Todos os Santos é área de reprodução de um grande número de espécies de peixes.
Em coletas feitas naquela região, no período de março de 2005 e fevereiro de 2006, ele identificou 91 espécies de 39 famílias. “Esse trabalho pôde confirmar a alta diversidade de peixes na baía e a dominância de poucas espécies, sendo muitas destas, alvo da pesca local”, observou.
O biólogo e pescador profissional, Roberto Pantaleão também ressalta a falta de estudos sobre a pesca na região.
“Não tem nenhum estudo da capacidade de suporte da Baía de Todos os Santos”, afirmou.
“Eles (os órgãos ambientais) não sabem qual é o estoque e a recuperação não é tão rápida assim. O que vimos foram os peixes adultos, mas morreram também milhões de alevinos (filhotes)”, alertou ele. (M.A.)