Argentino defende regime comum para biocombustíveis no Mercosul

08/05/2007

Argentino defende regime comum para biocombustíveis no Mercosul

Se o Brasil pretende impulsionar os biocombustíveis, deveria promover uma estratégia em bloco com seus parceiros do Mercosul, que têm grande potencial produtivo de matérias-primas e oportunidades de negócios a acrescentar neste segmento. A opinião é do empresário argentino Julio C. Gutiérrez, sócio do BGS Group, uma sociedade de investimentos dedicada originalmente ao setor de TV a cabo, mas que agora busca projetos com biocombustíveis. 


O BGS estará à frente de um grande congresso sobre biocombustíveis que será realizado nos dias 10 e 11 em Buenos Aires, para o qual já está confirmada a presença do ex-vice presidente dos EUA, Al Gore, além de vários especialistas na área. Gutiérrez disse que quer aproveitar o evento para angariar apoio à proposta de criar um regime comum de biocombustíveis do Mercosul. 


"Deveríamos editar uma norma comum, com incentivos, como o regime automotivo", disse Gutiérrez ao Valor. O BGS foi, até 2002, único parceiro na América do Sul do grupo americano Hicks, Muse, Tate & Furst. Em 1998, fez sua primeira investida no Brasil, com o lançamento da TV Cidade, companhia dedicada à TV paga em várias regiões do país. Nesse empreendimento, o BGS participava em parceria com o Hicks, o Grupo Silvio Santos e a AIG-GE Capital Latin American Infrastructure Fund (LAIF), e deixou o negócio em 2002. 


Embora seu foco ainda seja televisão a cabo e serviços de internet, o grupo participou em análise e assessoramento de investimentos nos setores de publicidade, alimentos, serviços, logística, entretenimento e agronegócios, contabilizando mais de 103 operações na América Latina, principalmente Argentina, Brasil, Chile, Uruguai, Colômbia e Venezuela. 


Neste momento, o BGS está montando um fundo de investimentos para projetos de biocombustíveis na Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia. O fundo, segundo Gutierrez, já captou US$ 100 milhões, dos quais US$ 50 milhões serão aplicados na concretização do primeiro projeto, uma planta com capacidade para produção de 180 mil toneladas de biodiesel próxima ao porto de Quequén, ao sul da província de Buenos Aires. A meta do fundo é captar US$ 500 milhões. 


Gutierrez afirma que, em uma estratégia conjunta entre os países do bloco, o Brasil poderia aportar financiamento do BNDES a parcerias entre empresas brasileiras e as dos demais países do bloco, além de tecnologia que já domina em etanol combustível a partir da cana. Segundo ele, na Argentina o grande potencial está na área de biodiesel, dado seus altos excedentes em soja, canola e girassol. "O grande problema da Argentina não é capacidade de produção mas de financiamento". 

JANES ROCHA