Mineradora é acusada de poluição em Jaguarari

09/05/2007

Mineradora é acusada de poluição em Jaguarari

Denúncia de crime ambiental contra a exploração de cobre desenvolvida pela Mineração Caraíba foi formalizada pela Federação das Associações e Entidades para o Desenvolvimento do Semi-árido (Faesa), por causa da preocupação das comunidades que vivem na região de Pilar, distrito do município de Jaguarari (a 400 km de Salvador, na região norte). De acordo com a denúncia enviada ao Ministério Público, Ibama e Centro de Recursos Ambientais (CRA) e apresentada na Câmara de Vereadores de Jaguarari, a mineradora está poluindo e causando desequilíbrio ambiental em riachos, rios e na área de caatinga.


Segundo a presidente da Faesa, Maria do Remédio Leite de Santana, o rejeito do cobre é jogado em barragens de despejo numa área de 500 hectares. “O problema é que quando as barragens transbordam toda a borra de cobre escorre para os riachos Santa Fé e Sulapa, que desaguam no Açude de Pinhões.
No dia 27 de abril, houve uma grande mortandade de peixes que consta com registro filmado e fotografado pela Faesa e está anexado à denúncia que fizemos”, declara.


A preocupação da entidade prende-se ao fato de que vaqueiros e criações de caprinos, ovinos e bovinos vivem perto dos riachos, além de pescadores e caçadores.Todos consomem a água que recebe os rejeitos de cobre. Técnicos do CRA estiveram três dias na região e fizeram fiscalização na Planta de Tratamento de Minério Oxidado.


Segundo o químico do CRA, Marco Antônio Albuquerque, “foramfeitas coletas de amostras para obter informações sobre a qualidade do meio ambiente e depois encaminhadas ao laboratório. O resultado deve sair em 15 dias”. A empresa mineradora recebeu dois autos de infração, interdição e embargo temporários.

ÁGUA ÁCIDA – Marco Antônio diz que os autos de infração foram emitidos no sentido de cessar as atividades desenvolvidas onde foi observada efetiva degradação do meio ambiente. “As amostras foramcoletadas para ver se há necessidade de recuperação ambiental e se estão emitindo poluentes no rio”, explica.Em nota pública, a Mineração Caraíba S.A. informa que “devido a uma manobra inadequada durante os testes de implantação da Planta de Tratamento de Minério Oxidado, ocorreu lançamento de água ácida no Riacho Sulapa, e em conseqüência houve morte de peixes, que, depois de recolhidos, encheram um tambor de 200 litros”.


Dez dias depois, dois homens, sem saber o que houve, pescaram tranqüilamente no Riacho Sulapa com rede e anzol. Na sacola de Itamar dos Santos Nascimento, pequenas espécies de traíra, sardinha, piau e curimatá. “Estamos alguns dias pescando para vender os peixes no mercado em Senhor do Bonfim”, disse Itamar.
No trecho do riacho que Itamar pesca, tem muita lama, lodo e mau cheiro. “Não era para se ver, no meio da caatinga um riacho poluído e sujo. A polpa do cobre transbordada pode ser vista em toda a extensão do Rio Sulapa”, informa Virgílio da Silva dos Santos, representante da Faesa.

OUTRO LADO – Segundo Adriano Quadros Lima, do setor administrativo da Caraíba , a empresa tem licença do CRA para implantação da Planta de Tratamento de Minério Oxidado, e “o que está parado são os testes com produtos químicos devido à manobra errada que acabou com a morte dos peixes, mas a implantação continua em atividade”. Ele garante que a mineradora está transmitindo o Ph da água em vários pontos e “o problema foi localizado na área da empresa, não tendo saído para o meio ambiente. Jogamos mais água para tentar diluir a acidez”.


Quanto ao pó observado no lado de fora das barragens de rejeito, Lima assegura que “é como se fosse rocha britada, diluída, foi classificada como inerte pela Empresa de Proteção Ambiental (Cetrel) e não oferece riscos às pessoas ou ao meio ambiente”. Assegurou que as barragens “não transbordam, mas, quando chove forte, há realmente o acúmulo de água, mas o que sai ali é apenas o pó da rocha e não é produto químico”, tanto que podem ser vistas vegetações vivas. “Ainda assim, vamos limpar tudo para não haver dúvidas”.

CRISTINA LAURA