Produção de Biodiesel ganha força na Bahia
A Bahia está na frente em relação pesquisa e produção do biodiesel, combustível renovável que está sendo inserido gradativamente na matriz energética nacional. Além de possuir as maiores concentrações de matérias-primas, entre elas mamona, dendê e algodão, o estado conta com a maior usina de biodiesel do país, a Brasil Ecodiesel, que possui capacidade para processar 900 toneladas de grãos de mamona por dia. No campo da pesquisa, as universidades Federal da Bahia (UFBa) e Estadual de Santa Cruz (Uesc) contam com modernos laboratórios para análise de qualidade do combustível e avaliação do desempenho de emissões de motores.
Um dos mais novos e prósperos municípios da Bahia, emancipado no ano 2000, Luís Eduardo Magalhães é um dos maiores expoentes na produção de biocombustiveis no país. A cidade possui hoje aproximadamente 50 mil habitantes e um crescimento de 20% ao ano. Seu crescimento é resultado da conjunção de fatores favoráveis à agricultura, como relevo, pluviosidade, boa insolação e disponibilidade de terras para o plantio de grãos, sendo responsável por 60% da produção de grãos do estado.
Localizada em uma região rica na produção de grãos, Luís Eduardo Magalhães é hoje uma das principais produtoras de soja do país, trabalhando com uma agricultura baseada em moldes empresa riais e com integração às cadeias agroindustriais. De acordo com o prefeito Oziel Oliveira, algumas empresas já se instalaram na localidade, entre elas a Dagris, estatal francesa que produz óleos vegetais e biodiesel.
A Petrobras escolheu a Bahia para lançar o Projeto B5, que vai avaliar a viabilidade na utilização do B5 (combustível misturado a 5% de biodiesel). Durante nove meses, seis veículos Ford Ranger vão percorrer 100 mil quilômetros nas estradas da Bahia utilizando a mistura nessa concentração. O projeto integra uma articulação conjunta com o governo do estado, a Ford, a Universidade Salvador (Unifacs) e outros parceiros. As seis Rangers vão seguir dez rotas por todo o estado, abastecidas por dois tipos de biodiesel provenientes de diferentes oleaginosas: semente de mamona (em dois veículos) e soja (em mais dois veículos). As duas Rangers restantes vão rodar com óleo diesel comum. Assim, cada um dos veículos terá seu desempenho avaliado ao final dos testes, que verificarão ainda a emissão de poluentes e o desgaste de cada motor em comparação aos que utilizaram o diesel convencional.
Além de não ser poluente, o biocombustível é uma alternativa para a geração de renda no semiárido brasileiro. Na Bahia, a chegada das indústrias de biodiesel está gerando repercussões positivas na agricultura familiar. Na unidade da Brasil Ecodiesel, instalada na região de Iraquara, foram firmados contratos com a Cooperativa de Produção e Comercialização da Agricultura Familiar da Bahia (Coopaf) e com a Federação dos Trabalhadores na Agricultura da Bahia (Fetag-BA). Hoje, esta rede já abrange 25 mil agricultores fami liares numa área total de 82 mil hectares. Estima-se que este número suba para 35 mil agricultores numa área de 120 mil hectares até o final de 2007.
O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia, Ildes Ferreira, pondera que o plantio das oleaginosas, que são as plantas que servem de fonte para o biodiesel, deve ser integrado à policultura e não servir como um substituto.
"É preciso que os agricultores compreendam que a monocultura não é favorável. Se todo mundo resolver investir apenas na matériaprima do biodiesel, lá na frente vai haver uma superoferta, baixo valor dos produtos, e quem não tiver outra forma de sustento pode ficar prejudicado.
Além disso, a policultura é muito mais saudável para o solo", disse. Ferreira também está liderando a instalação de miniusinas de produção do biodiesel em território baiano. "Elas serão projetos-piloto e os agricultores familiares participarão de toda a cadeia produtiva, não ficando restritos ao fornecimento das matérias-primas", destacou.
Os laboratórios instalados nas universidades baianas para pesquisas direcionadas ao biodiesel também são indicativos de que a Bahia está realmente integrada na rota da produção deste combustível.
Na Uesc, o biodiesel, produzido a partir de mamona e dendê, no Laboratório de Referência em Análise de Qualidade em Biocombustível, já abastecia a frota de veículos da universidade desde 2004, com o B10. Com o apoio da Secti, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), o laboratório está sendo ampliado. A Secti e a Fapesb também injetaram recursos em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) no Laboratório de Referência para a Avaliação de Desempenho e das Emissões de Motores Ciclo Diesel da UFBa, para modernização de sua infra-estrutura. A idéia é que este laboratório seja referência para o Nordeste com relação a estudos de emissões de poluentes atmosféricos.
Diversas instituições inte ressadas no tema do biodiesel estão integradas por meio da Rede Baiana de Biocombustíveis (RBB) com o objetivo de apoiar as ações do Programa de Biodiesel do estado da Bahia. Juntos, associações e coo perativas, empresas, governo esta dual e federal, além de instituições de ensino superior e pesquisa, estão empenhados na elaboração e execução de projetos relacionados à cadeia produtiva do biodiesel.
A rede atua em favor da ampliação e consolidação da produção e do processamento de oleaginosas no estado, ao surgimento de micro e miniusinas para atender às necessidades energéticas de combustível, de empreendimentos agroindustriais, entre outras ações.